boletim Territórios Sustentáveis 08

EDIÇÃO Nº 08

A extinção das abelhas

O perigo de extinção das abelhas é uma realidade, segundo o Professor Doutor Miguel Vilas Boas (Escola Superior Agrária de Bragança), o mundo sem elas “Era uma catástrofe”.

Nos EUA, a segunda potência da apicultura a seguir à China, mais de 60% das populações de abelhas desapareceram em 24 estados. A crise é tal que há cerca de dois anos o Congresso aprovou um plano de emergência, para fazer face aos protestos dos agricultores Norte-Americanos, afectados pela redução da sua área de cultivo em 50%, como consequência de decréscimo do número de abelhas e sua carência no processo de polinização.

Robert Edwards, porta-voz das cooperativas norte-americanas, sublinhou junto do Subcomité de Agricultura dos EUA: "As abelhas são tão importantes para as nossas colheitas como a água e a luz do sol". E alertou para a urgência de medidas do Congresso face ao desaparecimento de abelhas. "É um problema real e crescente que precisa ser estudado, abordado e corrigido", acrescentou.

Na Europa – segundo o diário espanhol El Mundo – em particular na Itália, Bélgica e Alemanha, metade das abelhas já desapareceram. João Casaca (Federação Nacional de Apicultores) lembra algumas das potenciais causas em diferentes países: “Na Alemanha tem a ver com o cultivo de sementes, em França pensa-se que seja a utilização de pesticidas nas culturas e em Espanha será a sobre produção.”

A responsabilidade dos pesticidas na morte das abelhas está no cerne da questão. Muitos agricultores têm efectivamente proibido a utilização de alguns químicos sobre as suas quintas depois de, em Maio de 2008, apicultores alemães terem perdido milhares de colmeias, após a contaminação destas como clothianidin – um pesticida mortal para as abelhas, aquando o pólen e néctar de plantas cultivadas têm origem em sementes tratadas por este. É também de salientar que Clothianidin é muito persistente no solo, e detém um elevado registo de resíduos que perduram na estação de crescimento subsequente.

Esta mesma questão foi levantada na estreia oficial do filme The Vanishing Bees i, um documentário que revela o activismo de apicultores franceses e alemães contra fabricantes de pesticidas e governos regionais que aprovam a utilização destes produtos, e que aponta como necessárias profundas alterações quer na produção agrícola, quer nos comportamentos de consumo, na senda de uma solução para este problema.

É neste contexto que em Itália, França, Alemanha e Eslovénia, foram efectivamente proibidos alguns pesticidas identificados como causa de morte das abelhas, como o já referido clothianidin, e ainda imidacloprid, fipronil e thiamethoxam, utilizados sobretudo no tratamento de sementes do girassol e do milho. No Reino Unido, estas medidas vieram motivar que a ‘Soil Association’ pressionasse o Executivo, no sentido de serem banidos agrotóxicos no país.

Em Portugal, entre 2004 e 2007, segundo o boletim do Ministério da Agricultura, morreram 3,5 mil milhões de abelhas no País. Segundo Miguel Vilas Boas, a origem remete a uma doença, a varroose. Considerada a “sida das abelhas”, este vírus é provocado por um ácaro – a varroa – que “enfraquece as abelhas e torna-as susceptíveis a outras doenças”. Em Portugal a população de abelhas também tem vindo a diminuir, mas Vilas Boas acredita que “não houve nenhum surto mortífero como nos outros países”.

A comissão de Ambiente do Parlamento Europeu aprovou novos critérios para a avaliação do risco de pesticidas potencialmente perigosos na agricultura, prevendo assim uma maior protecção das abelhas. Os deputados votaram a favor da redução, para metade, do uso de agrotóxicos na agricultura europeia até 2013, bem como a favor da proibição da pulverização dos cultivos por aviões. Como disse Albert Einstein: “Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem tem apenas quatro anos de vida.”, Miguel Vilas Boas explica “Todo o ecossistema seria alterado e Einstein, provavelmente, teria razão. Seria uma crise muito pior que a económica porque nós [humanidade] ficaríamos sem comida.”

Andrés Alba e Carla Félix Silva, Cores do Globo

 

Fontes:
'A World Without Bees', Alison Benjamin e Brian McCallum.
Diário de Notícias El Mundo

Para saber mais:
http://www.urbanbees.co.uk
http://www.longworthbees.blogspot.com/

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