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EDIÇÃO Nº 08 |
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Entre a estratégia e a filantropia O debate em torno da temática da Responsabilidade Social Empresarial - RSE tem crescido gradativamente tanto no âmbito acadêmico, quanto nas esferas governamentais, bem como nos fóruns de discussão originários na sociedade civil e nos espaços de mídia. Assim, em maior ou menor grau, a depender de condições particulares de cada lugar, é possível identificar focos de preocupação com planejamento e práticas de RSE em inúmeros países e regiões do mundo. É bem certo que a forma como o debate vai ganhando corpo em cada uma destas regiões é fruto, dentre outros elementos, da própria formação histórica, econômica, social e política de cada espaço regional. Considerando a especificidade da realidade brasileira nos seus aspectos mais gerais, identifica-se na atualidade um crescimento dos índices de participação empresarial em ações sociais, e, em paralelo a isto, acirram-se as discussões em torno dos conceitos que envolvem o tema da RSE, tais como cidadania corporativa, filantropia empresarial e desenvolvimento sustentável. Atestando a complexidade que envolve a RSE, tem-se no repertório dos discursos empresariais, e mesmo nas esferas de tratamento teórico-conceituais do tema, a presença de termos semelhantes, mas que são utilizados com significados distintos. Isto sinaliza para o fato de que o termo RSE pode apontar para diferentes formas de interpretação conceitual, assim como diversas formas de aplicação prática. Nesta perspectiva, a incorporação da RSE pelas empresas brasileiras não se dá de forma homogênea, sendo possível destacar tanto empresas que já incorporam ações de responsabilidade social interna e externa como parte dos seus planejamentos estratégicos, como empresas que consideram ações pontuais e de caráter filantrópico, desenvolvidas para a comunidade ou funcionários, como práticas de RSE. Desta forma, faz-se relevante destacar que, apesar de ainda muito se precisar avançar no âmbito das reflexões e práticas, e também dos estímulos ao desenvolvimento de ações empresariais socialmente responsáveis, a percepção da empresa como ator social que tem um papel para além dos objetivos econômicos já representa um importante ponto de partida para se pensar em novos modos de relacionamento entre empresa e sociedade no Brasil. Carla Montefusco
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