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EDIÇÃO Nº 08 |
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No Natal come-se bacalhau, no Verão faz-se a sardinha assada, o marisco serve sempre para comemorar e o atum, dentro de uma lata, está sempre pronto a ser servido. O peixe é um alimento muito comum na cozinha dos portugueses. A proximidade do mar, a elevada área de costa, a grande tradição pesqueira e os hábitos culinários, são algumas das razões que levam Portugal a ser o país da Europa que mais peixe consome. Cinquenta e seis quilos é o valor médio de peixe consumido por cada português apenas no ano de 2005. A actividade registou em 2007 capturas anuais de 161 mil toneladas e envolve mais de 17 mil pescadores (INE, 2008). Esta posição confere a Portugal uma elevada responsabilidade na exploração dos recursos marinhos. No entanto a pesca tem alterado dramaticamente a estrutura de muitas populações de peixe, havendo uma taxa crescente do declínio dos recursos marinhos e da biodiversidade associada a estes. As opções dos consumidores são uma responsabilidade individual, que não deixa de ter consequências ao nível de toda a cadeia de exploração dos recursos. Para que o consumo seja baseado em critérios de sustentabilidade, é essencial disponibilizar e fornecer informação sobre a produção e o processamento desses alimentos. A informação está muitas vezes associada à certificação. Nesse sentido têm surgido várias entidades dedicadas à classificação da sustentabilidade dos produtos marinhos, promovendo cada vez mais um processo de rotulagem transparente. A entidade mais reconhecida a nível mundial é a Marine Stewardship Council . Certifica sobretudo o método de captura do peixe, mas também os requisitos ambientais da produção em aquacultura. Existem também vários guias de consumo de peixe desenvolvidos por entidades ligadas à protecção e à conservação dos oceanos. São guias dos produtos do mar que utilizam a informação disponível sobre cada recurso para definirem critérios de classificação em relação à sustentabilidade (Marine Conservation Society; Seafood Watch – Monterey Bay Aquarium; Fish Source. Não existe ainda um guia específico para Portugal e a certificação está pouco acessível nas cadeias de supermercado. Então o que fazer quando queremos comer peixe de uma forma sustentável? Há vários critérios que podem ser adoptados, são simples e muitos deles transversais aos outros alimentos. A acção mais importante para a sustentabilidade é consumir menos, neste caso ingerir menos peixe. Tal como acontece em relação à carne, as quantidades actualmente ingeridas de proteína animal pelos cidadãos dos países desenvolvidos, são muito superiores às necessidades nutritivas dos nossos organismos. O peixe tem ainda uma particularidade: o peixe mais sustentável é muitas vezes o mais barato. É tão saboroso e oferece os requisitos nutritivos da mesma forma que as outras espécies. Espécies como a sardinha, o carapau e a cavala são normalmente mais baratas e capturadas em maior quantidade. Estas espécies estão na base da cadeia trófica marinha, o que significa que têm um ciclo de vida curto, maior capacidade de reprodução e alimentam-se de plâncton. Em contraposição temos as espécies piscívoras, que se alimentam de outros peixes, como por exemplo o atum, o bacalhau ou o salmão, e que por isso têm um ciclo de vida mais complexo e estão dependentes de um maior número de factores para subsistirem. Outro factor que caracteriza Portugal é também a elevada importância da frota artesanal. O acesso ao peixe fresco é fácil e comum, e está associado a um menor prejuízo ambiental porque exclui o custo associado ao processamento e à distribuição. A manutenção da pesca artesanal é por isso essencial para a preservação dos recursos, tem menor impacto no ecossistema, confere valor económico a um maior número de pessoas e permite a subsistência das comunidades costeiras que mantém a tradição cultural. Na bancada do peixe há sempre douradas e os robalos frescos de aquacultura. Estes produtos apresentam valores de compra bastante competitivos. Apesar do peixe proveniente da aquacultura estar a ser cada vez mais visto como uma solução para a manutenção dos recursos marinhos, esta actividade tem ainda elevados custos ambientais associados à concentração de matéria orgânica, dependência dos combustíveis fósseis e utilização de antibióticos. Mas o maior problema é a baixa eficiência da produção de peixe em aquacultura e a sua dependência de peixe selvagem: são necessárias 5 toneladas de peixe para produzir 1 tonelada de peixe de aquacultura. A melhor atitude a seguir é igual a todos os outros produtos que consumimos: procurar consumir os produtos menos processados e mais próximos do ponto de produção; procurar mais informação sobre a espécie, o que é, de onde vem e como foi capturada; e reavaliar constantemente os critérios adoptados. Não é necessário deixar de comer peixe para salvar os oceanos. O mais importante é reduzir, seleccionar e comer simplesmente o que o mar nos dá. Cheila Almeida - LPN Bibliografia consultada:
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