boletim Territórios Sustentáveis 07

EDIÇÃO Nº 07

Mobilidade Sustentável – um conceito plural

Falar de mobilidade sustentável implica ter em conta uma pluralidade de aspectos que, conjuntamente, contribuem para tornar este conceito uma realidade. A mobilidade de uma cidade só poderá ser verdadeiramente sustentável se não se esgotar em iniciativas pontuais e políticas isoladas e se der efectivamente prioridade aos modos suaves e colectivos de transporte, sem abranger apenas algumas zonas. É essencial que haja um esforço de implementação de políticas integradas que assegure uma boa rede intermodal de transportes, adequada às necessidades dos cidadãos e do país.

Nos últimos anos, o sector dos transportes tem sido um dos principais consumidores de energia, a par com o da indústria. A excessiva aposta em infra-estruturas rodoviárias adoptadas pelos últimos governos afastou as políticas de transportes da sustentabilidade, agravando pelo contrário o impacte ambiental causado pelo aumento da circulação de automóveis particulares.

Num momento em que o aquecimento global e as consequentes alterações climáticas voltam a estar no centro das atenções com o aproximar da Conferência das Nações Unidas em Copenhaga, espera-se que sejam desenvolvidos esforços reais no sentido de combater esta tendência.

Assumir um compromisso de sustentabilidade no quadro dos transportes urbanos é uma importante vertente que Portugal e todos os demais países não deverão descurar. Esta é uma aposta fundamental seja numa perspectiva global de combate às alterações climáticas, seja do ponto de vista nacional para reduzir a dependência energética do exterior e particularmente dos combustíveis fósseis, seja em termos locais no sentido de melhorar a qualidade do ar dentro das cidades.. Porém encontra-se ainda muito dependente de iniciativas privadas e individuais.

Não é suficiente sensibilizar os cidadãos para deixar o automóvel em casa, se os meios colectivos não o superam em tempo e custo. Não basta incentivar à utilização da bicicleta se não existirem ciclovias e sinalização apropriada. Não chega apelar para que se utilizem as interfaces de transportes colectivos nas deslocações pendulares quando os preços dos passes combinados não convencem ainda os automobilistas. Não serve de muito fazer bandeira de aquisições tecnológicas, como os veículos eléctricos particulares, quando não há um plano integrado que viabilize o seu funcionamento no espaço urbano.

Contudo, têm sido registados alguns avanços, ainda que pontuais, que podemos enumerar:

Disponibilização de bicicletas de aluguer gratuito em alguns municípios, apesar do pendor ainda marcadamente turístico;

Aluguer de bicicletas e scooters eléctricas, como o caso de Sintra, onde se conjuga o atractivo turístico com a necessidade de preservar uma zona considerada património mundial e sujeita à pressão do excessivo tráfego automóvel;

Circulação de veículos eléctricos colectivos como é o caso do mini-autocarro Gulliver, já com carreiras definitivas em seis cidades portuguesas e extremamente versátil do ponto de vista da acessibilidade aos utentes;

Criação de mais faixas BUS em Lisboa e alargamento da rede de metropolitano, com condições vantajosas para quem adquira o passe Lisboa Viva;

Incremento de bons acessos a utentes com mobilidade condicionada no Metro do Porto;

Agravamento das portagens, em Lisboa, para quem entrar individualmente na cidade de automóvel;

Aposta nos serviços de partilha e de aluguer pontual de automóveis – o carpooling e o carsharing, por parte de empresas como a Galp Energia e a Carris. Esta medida pode ajudar a reduzir o número de veículos que entram diariamente nas grandes cidades.

Crescente aposta das marcas na comercialização de veículos híbridos, a par com o investimento progressivo na maior autonomia das baterias.

Possibilidade dos utentes compensarem as emissões poluentes derivadas da sua deslocação com a plantação de árvores, nomeadamente ao nível das operadoras aéreas.

É necessário limitar não tanto a compra mas sim a utilização do automóvel de modo a minimizar graves problemas urbanísticos como o ruído, a poluição atmosférica e o congestionamento nas cidades. Tal só será possível com a criação de condições que abonem a favor da utilização dos transportes colectivos. É ainda essencial um maior equilíbrio e planeamento urbano que possibilite a fácil deslocação pedonal e/ou de bicicleta, tirando assim partido das amenas condições climatéricas em Portugal.

Sara Campos - Quercus

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Ficha Técnica: Projecto “Territórios Sustentáveis: Consumo Responsável em Organizações privadas, públicas e 3º sector” | Coordenação do Projecto: CORES DO GLOBO - Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária e QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza | Co-financiamento: IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Outros Apoios: CapEduc - Consultoria e Formação | Concepção gráfica: THINK BEFORE - Ideas for the World | Periodicidade: Mensal/2009

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