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EDIÇÃO Nº 07 |
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A nossa capacidade de nos movermos livremente, e a nossa necessidade – que também é prazer – de alimentarmo-nos, constituem duas características estruturais do ser humano, garantias da qualidade de vida, demonstrações da liberdade de escolha, formas de alcançar estatutos sociais privilegiados. E são, também, questões de enorme significado político, social e económico, bem para lá do estatuto puramente privado que lhes costumamos atribuir. Grandes interesses económicos, problemas ambientais e sociais de relevância e políticas públicas de envergadura constroem-se à volta destes dois tópicos: mobilidade e alimentação. Nesta edição focaremos precisamente estes dois assuntos, distintos entre si (mas que se interligam, precisamente por constituirem duas actividades básicas que interessam a todos nós), procurando perceber perigos, desafios e oportunidades que se colocam relativamente às questões da mobilidade e da alimentação. O tópico da mobilidade surge aqui numa óptica de promoção da mobilidade sustentàvel. Como é sabido, nas últimas décadas tem-se assistido, a um incremento na mobilidade, com grandes custos ambientais e com implicações na qualidade de vida, principalmente nas grandes metrópoles. Torna-se asim necessário, como se pode ler neste boletim, ‘assumir um compromisso de sustentabilidade’, promovendo melhores transportes públicos, diminuindo o custo energético, repensando as cidades, abrindo-as para os peões. E, porque isto é também uma responsabilidade da cada um de nós, a rúbrica ‘Dicas’ centra-se precisamente em alternativas que visem a mobilidade sustentável. Por outro lado, a questão da alimentação é crucial no mundo em que vivemos, um mundo com mais de mil milhões de subnutridos. Perante a grave crise alimentar vigente urge encontrar soluções, que se baseiem na profunda alteração do sistema de comercialização e distribuição alimentar. É isso que se propõe com o conceito de Soberania Alimentar que será detalhado num dos textos que aqui se apresentam. O dossier sobre alimentação contempla ainda duas outras questões fundamentais. Por um lado, os transgénicos e a necessidade de mais informação disponivel sobre este tema, potenciando a nossa – de momento reduzida – capacidade de escolha. E finalmente, outro tópico muito interessante será o abordado no texto sobre produção animal e degradação ambiental, que foca o impacto ambiental da produção em larga escala de carne para consumo alimentar. Estes dois temas permitem assim, conhecer um pouco mais sobre as grandes questões por detrás da mobilidade e da alimentação humamas e perceber como também a este nível, as nossas escolhas e reivindicações poderão contribuir para um mundo mais justo, mais ecológico, mais sustentável. Esperemos que gostem deste número, e até ao próximo mês! A Cores do Globo |
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