boletim Territórios Sustentáveis 05

EDIÇÃO Nº 05

TURISMO SUSTENTÁVEL

Muito embora não exista uma definição única de “Turismo”, as Recomendações da Organização Mundial de Turismo, definem-no como "as actividades que as pessoas realizam durante as suas viagens e permanência em lugares diferentes dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros."

O Turismo é, nos nossos dias, um fenómeno de âmbito global e que tem vindo a ganhar cada vez mais destaque em termos económicos, sociais e ambientais. Contudo, e apesar do seu desenvolvimento trazer alguns benefícios que a maior parte das populações ambicionam, o desenvolvimento incorrecto desta actividade pode acarretar um amplo leque de problemas que urge minimizar tais como impactes ambientais negativos, perda da identidade local e outras ameaças ao meio envolvente.

É certo que a cada vez maior consciência ambiental da população, no seu geral, tem levado a que o Desenvolvimento Sustentável esteja em foco na maior parte dos debates técnicos e das agendas políticas na área do turismo. No entanto, deparamo-nos com fortes dificuldades de acção, como sejam a elevada complexidade de funcionamento das actividades turísticas, a multiplicidade de agentes que nelas interferem e a escassez de tecnologias e de conhecimentos estratégicos para a aplicação prática de um verdadeiro desenvolvimento sustentável.

Por outro lado, e visto o conceito de Turismo estar intimamente ligado à mobilidade, é importante organizar e gerir redes de transportes mais eficientes e menos poluentes, que não sejam eles próprios causadores de danos ao meio que suporta a actividade turística. Sabemos, por exemplo, que 60% do tráfego aéreo mundial é devido ao turismo e a Europa é o continente que mais viaja em turismo. Dado que as viagens de avião são uma das formas mais poluentes de nos deslocarmos, mas ainda assim uma das mais solicitadas em tempo de férias, essas estarão, em última análise, a contribuir para as alterações climáticas, através da emissão de gases com efeito de estufa, isto para além de inúmeros outros poluentes perigosos para a atmosfera, e que podem ter impactos significativos para a saúde humana e para o Ambiente.

É pois necessário criar estratégias que permitam que o turismo possa contribuir para um desenvolvimento sustentável, integrando as directivas das Cimeiras da Terra e recomendações diversas sobre questões ambientais, tais como as emanadas da Agenda 21. Neste sentido, a análise e a reflexão propostas por diversos agentes constituem uma base fundamental para o trabalho em novos segmentos do Turismo, principalmente aqueles relacionados com os espaços rurais e naturais.

A Carta Europeia de Turismo Sustentável apresenta-se como um destes exemplos, defendendo uma forma menos intensiva de turismo que compatibilize e integre os aspectos ambientais, culturais e sociais com o desenvolvimento económico das Áreas Protegidas. O objectivo principal desta Carta assenta no desenvolvimento sustentável da região, de modo a permitir responder às necessidades económicas, sociais e ambientais das gerações presentes sem comprometer as das gerações futuras.

Esta Carta é, em suma, a constituição de uma parceria entre uma Área Protegida e todos aqueles que têm um papel preponderante no desenvolvimento do turismo na região, com o objectivo de nele integrar os princípios do desenvolvimento sustentável, assente numa estratégia definida em quatro objectivos fundamentais: Conservação e valorização do património; Desenvolvimento social e económico; Preservação e melhoramento da qualidade de vida dos habitantes locais e Gestão dos fluxos de visitantes e aumento da qualidade da oferta turística.

Tal como este, muitos outros trabalhos têm vindo a ser desenvolvidos por diversos especialistas nesta área. Resta agora que as entidades responsáveis, mas também cada um de nós nos seus gestos individuais, tornem possível a implementação de um modelo de turismo futuro, onde a preservação ambiental seja a prioridade fundamental, não apenas como garante da existência de recursos futuros no Planeta, mas também como forma de criar um novo modelo relacional entre Homem e Natureza.

Nuno Sequeira, Quercus

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Ficha Técnica: Projecto “Territórios Sustentáveis: Consumo Responsável em Organizações privadas, públicas e 3º sector” | Coordenação do Projecto: CORES DO GLOBO - Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária e QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza | Co-financiamento: IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Outros Apoios: CapEduc - Consultoria e Formação | Concepção gráfica: THINK BEFORE - Ideas for the World | Periodicidade: Mensal/2009

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