boletim Territórios Sustentáveis 05

EDIÇÃO Nº 05

Critérios para um Turismo Sustentável

Vendo bem, o turismo é um sector da economia gigantesco, que nos permite reflectir sobre um vasto conjunto de questões económicas, sociais e ambientais. Por empregar 8% da população mundial activa e gerar quantias de dinheiro astronómicas, o turismo torna-se facilmente num chamariz, constituindo-se até uma prioridade em muitos dos países mais pobres do Mundo. Mas quais afinal os benefícios desse investimento para as populações desses países?

Viajar é ainda um luxo para muitos, mas começa a ficar acessível a cada vez mais pessoas. A Organização Mundial do Turismo prevê que 1,1 mil milhões de pessoas viajarão em 2010 e 1,6 mil milhões em 2020 [1]. Devemos preocupar-nos com os impactes deste crescimento, que nos coloca desafios ambientais - devido à poluição que gera[2] - e também culturais – se os complexos turísticos não forem geridos de forma cuidadosa e sustentável, os estragos sociais e culturais daí advindos podem tornar-se trágicos (o consumo excessivo de recursos, a degradação dos habitats das populações indígenas e tribais, ameaçadas pelas constantes visitas dos turistas curiosos, etc.)

A Global Partnership for Sustainable Tourism Criteria (GPSTC - Parceria para Critérios de Turismo Sustentável) é uma coligação de 32 organizações (iniciada em 2007 pela Rainforest Alliance, a UNEP, a United Nations Foundation e a United Nations World Tourism Organization – UNWTO - e que agora reúne também agências de viagens e associações ambientais) que trabalham em conjunto para reforçar a compreensão sobre as práticas de turismo sustentável e a adopção de princípios universais.

A procura por um turismo sustentável, por parte dos consumidores, está a aumentar. Os fornecedores desta indústria estão a desenvolver novos programas verdes e os governos estão a criar novas políticas para encorajar práticas mais sustentáveis no turismo. Mas a dúvida subsiste: o que significa efectivamente “turismo sustentável” e como pode ser medido e demonstrado, de modo a criar confiança junto dos consumidores? Foi na tentativa de responder a estas questões, que foi criada esta parceria. Pretendia-se que a definição deste tipo de turismo se tornasse tanto disponível como credível.

O objectivo é que estes critérios se constituam nos standards mínimos a que qualquer negócio de turismo deverá aspirar, se quiser proteger os recursos naturais e culturais do planeta e utilizar o turismo enquanto ferramenta de combate à pobreza. Por outro lado, não se pretende que os critérios sejam tão rígidos e difíceis de alcançar, que se tornem factores de dissuasão.

Espera-se que estes critérios sirvam de orientação para negócios de todos os tamanhos e formatos - agências de viagens, programas de certificação, programas governamentais e não-governamentais, instituições de educação e formação (como Escolas de Hotelaria e Universidades). Também se espera que possam orientar os próprios media, no reconhecimento dos agentes turísticos que fornecem este tipo de serviços, distinguindo-os de outros.

Para a definição dos critérios, as organizações parceiras entraram em contacto com aproximadamente 100000 stakeholders da área do turismo, analisaram mais de 4500 critérios de mais de 60 certificações existentes e receberam comentários de mais de 1500 pessoas. Aqueles ficaram organizados em torno de quatro pilares: A) planeamento sustentável efectivo; B) maximização dos benefícios sociais e económicos das comunidades locais; C) redução dos impactes negativos para a herança cultural; D) redução dos impactes negativos da herança ambiental.

A preocupação com a “compra de serviços e bens locais ou produzidos segundo os princípios de Comércio Justo, sempre que possível” está incluída no pilar B. Os benefícios prendem-se com vários aspectos e são descritos da seguinte forma: apoia os negócios locais e cria emprego; uma maior percentagem do preço pago é transferido directamente para o fornecedor dos bens e serviços, a qual volta a circular várias vezes dentro da comunidade; reduz a pegada ecológica pois implica menos gases com efeito de estufa no seu transporte; são recebidos preços e salários justos pelos produtores; e a experiência do visitante é enriquecida.

Inês Cardoso, Cores do Globo

[1] www.worldwatch.org

[2] De acordo com a United Nations Environmental Programme – UNEP, o turismo corresponde a uma estimativa de 5% das emissões globais de gás com efeito de estufa.

 

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Ficha Técnica: Projecto “Territórios Sustentáveis: Consumo Responsável em Organizações privadas, públicas e 3º sector” | Coordenação do Projecto: CORES DO GLOBO - Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária e QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza | Co-financiamento: IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Outros Apoios: CapEduc - Consultoria e Formação | Concepção gráfica: THINK BEFORE - Ideas for the World | Periodicidade: Mensal/2009

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