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EDIÇÃO Nº 04 |
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Hoje, a ED tem várias denominações [1] , abordamos aqui a designação da Plataforma Portuguesa das ONGD, de Dezembro de 2002, a qual diz que a ED pode ser entendida como “um processo dinâmico, interactivo e participativo que visa: - a formação integral das pessoas; - a consciencialização e compreensão das causas dos problemas de desenvolvimento e das desigualdades locais e globais num contexto de interdependência; - a vivência da interculturalidade; - o compromisso para a acção transformadora alicerçada na justiça, equidade e solidariedade; - a promoção do direito e do dever de todas as pessoas, e de todos os povos, participarem e contribuírem para um desenvolvimento integral e sustentável.”[2] . A ED actua através da sensibilização, mobilização, informação, do lobbying e da advocacia exercidos sobre a opinião pública em geral, grupos específicos da população, agentes multiplicadores e decisores, em particular, num verdadeiro processo de construção de redes rumo à mudança [3]. Em Portugal, o documento produzido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Fevereiro de 2006, "Uma Visão Estratégica para a Cooperação Portuguesa" [4] , passa a integrar a ED como uma das prioridades da cooperação portuguesa, manifestando a intenção de “aumentar o apoio a acções de educação para o desenvolvimento em Portugal e no quadro da UE, criando conhecimento e sensibilizando a opinião pública portuguesa para as temáticas da cooperação internacional” e também a de incentivar a introdução da ED nos curricula escolares [5]. Tal é motivado pelo reconhecimento de que a ED “constitui um processo educativo constante que favorece as interrelações sociais, culturais, políticas e económicas entre o Norte e o Sul, e que promove valores e atitudes de solidariedade e justiça que devem caracterizar uma cidadania global responsável” e de que a ED “(…) consiste, em si mesma, num processo activo de aprendizagem que pretende sensibilizar e mobilizar a sociedade para as prioridades do desenvolvimento humano sustentável.” Embora as questões sobre a cidadania já sejam parte integrante dos curricula escolares [6] e as competências consideradas essenciais ao desenvolvimento dos alunos sejam afins à ED, esta ainda não foi formalmente introduzida no ensino português. Contudo, são várias as experiências desenvolvidas pelas escolas, em estreita colaboração entre professores, alunos e ONGs nesta matéria. São exemplos recentes de projectos desenvolvidos nas e pelas escolas o projecto “Comércio Justo: Interdependência Sul/Norte” (Dezembro de 2005 a Novembro de 2008), dirigido a professores e estudantes do ensino básico (2º e 3º ciclos). Foi sua intenção contribuir para uma consciencialização dos jovens portugueses sobre as assimetrias e a interdependência Norte/Sul numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. Para este efeito, foram criados os Clubes de Comércio Justo em várias escolas do país, desenvolvendo assim pólos estáveis de ED no sector do ensino formal [7]. Citamos, ainda, o interessante projecto “Anauá: a outra Margem do Comércio Justo” (Março de 2007 a Setembro de 2008). Com a intervenção nas escolas do ensino básico e secundário de Almada, foi seu objectivo contribuir para a consciencialização da importância do Comércio Justo enquanto impulsionador do desenvolvimento sustentável e estratégia de luta contra a pobreza nos países em desenvolvimento [8]. Falamos ainda do recente projecto “Comércio Justo: Contributo para a Construção da Cidadania Global” (Maio de 2009 a Abril de 2011), abarcando as temáticas comércio justo, soberania alimentar, economia solidária e consumo responsável, junto da comunidade escolar com o intuito de a sensibilizar para a cidadania global. Apesar de recente, a ED tem vindo a constituir um dos pilares mais importantes para que o mundo actual siga em direcção a rumos mais sustentáveis e participados. O facto de estar a ler este boletim é um primeiro passo em direcção à acção. Convidamo-lo, agora, a dar o passo seguinte actuando através de uma atitude reflectida e responsável para com o que o rodeia. Alexandra Figueiredo, Cores do Globo [1] Para aceder a algumas definições sobre o tema, bem como a bibliografia, ver aqui Fontes: |
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