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EDIÇÃO Nº 03 |
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Conferências do Estoril Teve lugar, nos passados dias 7 a 8 de Maio, a primeira edição das Conferências do Estoril, com o tema “Desafios Globais, Respostas Locais”, a qual contou com a presença de inúmeras personalidades nacionais e internacionais. Destacamos aqui a palestra proferida pelo Prémio Nobel da Economia (em 2001) e ex-economista chefe e vice-presidente sénior do Banco Mundial (entre 1997 e 2000), Joseph Stiglitz. Este Professor da Universidade de Columbia, no seu livro Making Globalisation Work (2006), dedicou um capítulo ao Making Trade Fair, onde defende a ideia de que devemos encarar a ajuda e o comércio como complementos, pois ambos são necessários para um desenvolvimento bem sucedido dos países mais pobres, os quais estão demasiado dependentes da agricultura e da exportação de matérias-primas cujos preços são muito voláteis nos mercados mundiais. Stiglitz critica os acordos que decretam a abertura dos mercados dos países em desenvolvimento, a bens vindos dos países industrialmente avançados, impondo barreiras comerciais assimétricas. No seu entender, os países ricos deveriam simplesmente abrir os seus mercados aos mais pobres, sem condicionalidades económicas ou políticas. Na sua apresentação no Estoril, numa altura em que se discute a regulação financeira, face à crise dos mercados (sobre a qual ninguém quer assumir a responsabilidade), defendeu a necessidade de ligação dos mercados aos governos e também de uma maior transparência e prudência. Confessou a sua desilusão com a recente Cimeira do G20, na qual se decidiu atribuir mais poder àqueles que falharam no passado (referindo-se ao FMI). Lembrou que o sistema financeiro não pode ser encarado como um fim em si mesmo, nem açambarcar os lucros de todos os sectores produtivos da economia, correndo o risco de provocar problemas sociais ainda mais graves. No seu entender, o consumidor já não está disponível para gastar o que tem e o que não tem, sem nada poupar. Esse modelo está ultrapassado. E deixou o alerta: “O mundo não sobreviverá com o actual padrão de produção e consumo!”. Inês Cardoso, Cores do Globo |
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