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EDIÇÃO Nº 03 |
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No primeiro dia do mês de Maio celebra-se anualmente o Dia do Trabalhador. Este faz parte do calendário mundial contestatário: um pouco por toda a parte, de forma mais livre ou mais reprimida, organizações sindicais, associações e activistas juntam-se para clamarem pelos seus direitos. As raízes deste dia remontam a 1889, quando a Segunda Internacional Socialista convoca uma manifestação anual para este dia (assinalando uma efeméride: 3 anos antes ocorrera em Chicago, nos primeiros dias de Maio, uma grande manifestação marcada por severa repressão, alguns mortos e dezenas de feridos). No início da década de 20, o 1º de Maio é já reconhecido como feriado nacional num número muito diverso de países, e, ainda hoje, este dia serve para dar eco aos protestos de trabalhadores em todo o mundo. Em Portugal, o primeiro 1º de Maio livre, o de 1974, é recordado como um evento único por quem nele participou, abrindo caminho, pela primeira vez, para as manifestações, festas e comícios que a partir daí têm sido convocados anualmente pelas centrais sindicais e por alguns sindicatos independentes. Mais recentemente, celebra-se também em Lisboa o chamado MayDay, o 1º de Maio do precariado, que agrega jovens e não tão jovens precários (trabalhadores temporários e a recibos verdes ou bolseiros...) replicando um evento que se tem vindo a repetir em várias cidades da Europa. Olhar para o 1º de Maio é assim fazer uma viagem pelas principais reivindicações dos trabalhadores contemporâneos, num espectro que cobre desde os diversos sindicatos ao Mayday, passando por grupos anarquistas e anarco-sindicalistas, numa construção a múltiplas vozes dos direitos que ainda falta conquistar. Falar de Comércio Justo é também falar dos direitos dos trabalhadores. Dos produtores e de toda aqueles que integram a rede de importação e comercialização. Do direito a ter um trabalho digno, um ordenado justo, condições mínimas de segurança, higiene e bem-estar. No fundo, é um movimento que luta por assegurar as condições mínimas que são devidas a todo e qualquer trabalhador. E por isso mesmo, neste mês do trabalhador, porque não associar o movimento do Comércio Justo aos múltiplos gritos que se fazem ouvir, por um mundo melhor para aqueles que fazem do trabalho o seu dia-a-dia? Inês Pereira, Cores do Globo |
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