![]() |
||||
EDIÇÃO Nº 03 |
||||
Laranjas justas A Cealnor é uma cooperativa brasileira que pertence ao circuito de Comércio Justo (CJ) e constitui um símbolo dos bons resultados que este movimento desenvolve no seio dos pequenos produtores locais. Situa-se em Rio Real, no Estado da Baía, o qual tem o maior número de agricultores familiares do Brasil e, ao mesmo tempo, uma grande concentração de latifúndios e terras que estão na mão da indústria. A necessidade de uma maior justiça comercial surgiu da vontade de alterar uma situação em que os pequenos agricultores eram explorados pela figura do “atravessador”, isto é, a pessoa que comprava o produto aos agricultores pagando um valor inferior ao do mercado. De acordo com os testemunhos destes agricultores familiares, o atravessador chegava ao campo e dizia “no mercado tal a laranja custa X” e eles, sem qualquer informação e sem alternativa, eram obrigados a vender àquele preço. Simultaneamente à entrada desta organização para o circuito CJ (1997), era também implementado o projecto Agrovidas, que visava a expansão das propriedades e da produção dos agricultores familiares. Através de uma operação de crédito, a Cealnor financiou a compra colectiva de uma parcela de terra. Os produtores comprometeram-se a pagar uma mensalidade durante 20 anos, podendo assim cultivar o seu feijão, maracujá, laranja, coco, etc. Tratou-se portanto de um “assentamento” com recurso próprio. Este projecto prevê ainda uma área de cultivo colectiva, que funciona em regime de “mutirão”, ou seja, trabalho comunitário uma vez por semana. Os lucros derivados desse terreno colectivo são depois canalizados para o investimento na comunidade. Algum dinheiro já foi aplicado em obras de melhoria do campo de futebol, do cemitério e da igreja. Paralelamente às preocupações sociais, a Cealnor desenvolve também um modo de produção sustentável e ecológico. Passaram a não utilizar produtos agrotóxicos, nem adubos químicos (aos quais chamam “veneno”) e constatam animadamente que as pragas desapareceram desde então. Nas palavras de um agricultor “Os meus vizinhos criticaram-me: ‘Você não vai sobreviver. Os orgânicos produzem pouco’. O que importa? Estou a contribuir para a saúde das pessoas, aqui no Brasil e para onde exportamos”. Inês Cardoso, Cores do Globo Referências: |
||||
![]() |
||||
|
© 2009 Cores do Globo |
|
||