![]() |
||||
EDIÇÃO Nº 02 |
||||
Sustentabilidade e direitos humanos No passado dia 12 de Abril teve lugar na Culturgest uma das conferências integradas no Ciclo “Um alerta para o Planeta” promovido pela Caixa Geral de Depósitos e a Green Values . Nesse dia o tema explorado foi o dos direitos humanos. O orador mais aguardado foi Silas Siakor, um liberiano de 38 anos, que arriscou a vida para expôr os abusos de direitos humanos no seu país e o financiamento da guerra com o abate ilegal de árvores, tendo sido reconhecido com o Goldman Environmental Prize em 2006. Falou-nos da Libéria, onde os inúmeros recursos contrastam com a pobreza da população, posicionada nos lugares mais baixos dos indicadores que definem o índice de desenvolvimento humano. Silas considera que os conceitos de desenvolvimento sustentável e de direitos humanos são indivisíveis e ilustrou o seu raciocínio com exemplos de deslocações induzidas pelas explorações mineiras, ou por empresas que assumem a propriedade de terras sem consulta às populações, as quais são forçadas a migrar. Entristece-o o facto de o desenvolvimento sustentável ainda ser sinónimo de pura retórica para os governos corruptos africanos. O segundo orador, João Ermida, um economista e autor do livro Verdade, Humildade e Solidariedade, contou-nos a sua experiência no sector financeiro, o qual abandonou há alguns anos, por considerar que nesse sector não estaria a ser seguido o caminho mais correcto. A seu ver a sustentabilidade não está apenas relacionada com o ambiente, mas sim com muitos outros valores, que têm vindo a ser esquecidos no mundo empresarial. Falou-nos daquele que tem sido o padrão de actuação das organizações privadas nos últimos tempos (antes de desembocar na presente crise) e que na sua perspectiva assentava numa “política de exigência de resultados impossíveis”, uma vez que era pedido aos colaboradores que atingissem valores de crescimento na ordem dos 15%, independentemente do crescimento da economia, apenas para provar aos accionistas que estavam a crescer a dois dígitos. Esta exigência levava à adopção de expedientes pouco éticos, mas que permitiam reduzir os custos e aumentar o preço das acções, dos quais a corrupção e o despedimento constituíam exemplos comuns. Porque valia a pena correr estes riscos de uma gestão tão insustentável? Porque os Bancos Centrais apareciam sempre como salvadores dos excessos cometidos, fornecendo paliativos orçamentais e por vezes brindando os insucessos com indemnizações milionárias. Inês Cardoso, Cores do Globo |
||||
![]() |
||||
|
© 2009 Cores do Globo |
|
||