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EDIÇÃO Nº 02 |
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Direitos e liberdades Existem 6 biliões de pessoas na terra. A liberdade é um privilégio de apenas alguns de nós. Os direitos são um privilégio de apenas alguns de nós. Muito sofreram as gerações que nos precederam para termos a liberdade e os direitos que agora gozamos. Muito sofrem actualmente milhões de pessoas a quem a liberdade e muitos direitos, mesmo os mais fundamentais, são negados. Esta pequena introdução não pretende criar qualquer sentimento de culpa por termos liberdade e direitos. Pretende apenas sugerir que talvez seja importante pôr as coisas em perspectiva, e pensar se nesta fase de evolução das nossas sociedades ocidentais privilegiadas não devamos focar-nos em dois outros valores associados à liberdade e aos direitos. A responsabilidade e os deveres. Nem sempre pensamos nisso, mas quanto mais liberdade temos, mais responsabilidade temos que ter. São dois conceitos fundacionais e estruturantes das nossas democracias. No século XVIII lutámos por direitos civis, no séc XIX por direitos políticos e no sec. XX por direitos sociais, agora no século XXI deveríamos talvez dedicarmo-nos aos deveres. Deveres de uma cidadania cosmopolita e de uma cidadania de sustentabilidade. Consumir sustentavelmente é um primeiro passo num processo de responsibilização que temos que ter perante um mundo em profunda crise ambiental, social e económica. As nossas liberdades e os nossos direitos assim o exigem. Que olhemos os recursos, a biodiversidade, os outros e o mundo, não como nosso, mas como de todos, de pessoas de ontem e de amanhã, de pessoas de hoje que estão perto e que estão longe, e ainda como um mundo que não pertence à espécie humana em exclusivo. Consumir tem sido um acto privado, e todos temos a convicção que podendo, temos o direito de consumir tudo aquilo que quisermos e quando quisermos, sem termos que o justificar. Fará parte dos nossos direitos numa sociedade liberal. Mas os significativos impactes no ambiente provocados pelo aumento da produção e do consumo de bens e serviços, as disparidades sociais e a injustiça quer para com as gerações futuras, quer para com outras partes do mundo menos privilegiadas e por fim a falsa ligação (que milhares de euros de publicidade nos vendem diariamente) do consumo à felicidade, justificam esta passagem do consumo como acto privado para um acto público, ético e sustentável que possa suportar os nossos sistemas assentes em liberdade e direitos. Sofia Guedes Vaz, Pós-Doc na área do consumo sustentável |CENSE FCT/UNL |
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