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EDIÇÃO Nº 01 |
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Depois de feitas as apresentações dos nossos parceiros e da temática que nos guiará ao longo deste ano, começamos agora a transformar este espaço num palco de reflexão sobre as questões do consumo propriamente ditas. Nesse sentido, começamos por apresentar o Processo de Marraquexe e a sua contribuição para o debate em torno de um mundo mais sustentável. Decidimos, além disso, dedicar este boletim às questões do género. Porquê? Porque aproveitamos a comemoração do Dia Internacional da Mulher e também porque, sendo o género uma variável transversal a todos os domínios da sociedade, marca também presença nas práticas de consumo, onde transparecem os papéis sociais diferenciados a que homens e mulheres tendem a estar associados, muitas vezes caracterizados pela desigualdade de oportunidades de acesso a certos bens e serviços. Acompanhando a perspectiva da Estratégia para a Igualdade de Género do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, consideramos que a igualdade constitui uma condição imprescindível para um desenvolvimento inclusivo, democrático e sustentável. E por isso se torna impossível falar em desenvolvimento sem falar em "género". Apesar de existirem algumas tendências positivas - os níveis de educação das mulheres em todo o mundo continuam a crescer e os hiatos de alguns indicadores do mercado de trabalho estão a diminuir em muitas regiões - sabemos que o desequilíbrio entre homens e mulheres ainda impera. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para 2007, trabalhavam nesse ano 1,2 biliões de mulheres em todo o Mundo, o que significa um aumento de 18,4% desde há dez anos. No entanto, nesse mesmo período, o número de mulheres desempregadas cresceu de 10,2 para 81,6 milhões e aquelas que trabalham continuam confinadas aos sectores menos produtivos da economia, com um estatuto inferior e uma menor remuneração e protecção social. Portanto, as mulheres estão sobre-representadas entre as populações mais pobres, excluídas dos espaços de decisão, apesar de associadas a responsabilidades nas esferas produtivas, domésticas e comunitárias [1]. Foi no sentido de alertar para este cenário que este ano a OIT decidiu adoptar o slogan "Investing in Decent Work for Women: Not just right, but smart" no Dia da Mulher. Acreditamos que a discriminação de género deve ser trazida a lume sempre que possível, evitando que seja relegada para o baú dos lugares comuns, que já ninguém quer abordar, por se terem tornado banais. Neste número falamos principalmente de mulheres. Mulheres produtoras, consumidoras e mães. Cores do Globo [1] Fondation Charles Léopold Mayer pour le Progrès de l'Homme (2001) Mujeres y Economia, Cuaderno de propuestas para el Siglo XXI, Alianza por un mundo responsable, plural y solidario, Polo de Socio-Economía Solidaria |
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