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EDIÇÃO Nº 01 |
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Depois de feitas as apresentações dos nossos parceiros e da temática que nos guiará ao longo deste ano, começamos agora a transformar este espaço num palco de reflexão sobre as questões do consumo propriamente ditas. Nesse sentido, começamos por apresentar o Processo de Marraquexe e a sua contribuição para o debate em torno de um mundo mais sustentável. Decidimos, além disso, dedicar este boletim às questões do género. Porquê? Porque aproveitamos a comemoração do Dia Internacional da Mulher e também porque, sendo o género uma variável transversal a todos os domínios da sociedade, marca também presença nas práticas de consumo, onde transparecem os papéis sociais diferenciados a que homens e mulheres tendem a estar associados, muitas vezes caracterizados pela desigualdade de oportunidades de acesso a certos bens e serviços. |
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Marraquexe é uma das mais prestigiosas e emblemáticas capitais do Antigo Império Marroquino. Famosa por ser a cidade das mil e uma noites, é também Património Mundial reconhecido pela UNESCO e palco de uma das maiores iniciativas globais relativas ao Desenvolvimento Sustentável, em termos de produção e consumo, conhecido como o Processo de Marraquexe. Este processo foi lançado na primeira reunião internacional de especialistas em Consumo e Produção Sustentáveis, realizada nessa cidade marroquina (em 2003), enquanto resposta às recomendações da Cimeira de Joanesburgo, onde os governos, as organizações internacionais e a sociedade civil foram convidados a desenvolver um programa de sustentabilidade, tendo por base um projecto de 10 anos (10 Year Frame Programme). O desafio é determinar quais as medidas chave para um Desenvolvimento Sustentável, providenciar meios para a sua implementação (financeiros, técnicos e humanos) e fazer com que o processo de tomada de decisão políticoeconómico tenha estas preocupações bem assentes na sua agenda. |
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Na sociedade contemporânea o consumismo é cada vez mais um termo predominante que sugere reflexão e consciência devido ao seu impacto ambiental no presente e na sustentabilidade das gerações futuras. Muitas têm sido as medidas de sensibilização à reflexão sobre o consumo responsável contudo, continuamos a assistir a um acréscimo de todos os factores que o envolvem, nomeadamente a aquisição e acumulo de bens desnecessários em prol de uma imagem de prestígio social, estimulada por um sistema capitalista. Ao analisarmos esta situação, percebe-se que os factores que influenciam o consumo (publicidade, qualidade vs preço, etc) têm como principal objectivo incentivar um pensamento individual: "Eu preciso", "Eu quero", "O meu". É menos frequente constatar uma influência publicitária, por exemplo, no sentido colectivo: "Todos precisamos", "Todos queremos". Se cada vez mais o consumidor tem informação e oportunidade de escolha, então, é também cada mais importante o consumidor ter consciência que deve ter uma escolha responsável e reflectida. |
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Apesar das inúmeras formas que moldam as condições e os contextos em que as mulheres vivem, trabalham e produzem, existe unanimidade no reconhecimento dos seus problemas e da necessidade de transformar as práticas económicas, na luta por um novo paradigma. Cada vez mais movimentos sociais exigem a igualdade de género, numa estrutura económica ainda dominada pelo controlo masculino sobre os recursos e os meios de produção e circulação, que impede que grande parte das actividades das mulheres sejam tomadas em consideração na economia dita "dominante". |
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Consumos generalizados ou genderizados? Há muito que a sociologia edificou o conceito de género, como construção social, em oposição ao sexo, característica anatómica/biológica que distingue machos e fêmeas. Estes dois conceitos não têm necessariamente correspondência, e a corroborá-lo enunciam-se 'categorias sociais' como transexual, transgénero, andrógino, etc., que vêm desarranjar o sistema dicotómico prescrito pelas sociedades ocidentais. Paralelamente, a antropologia é profícua em ilustrações da diversidade de identidades de género que as sociedades engendram, sejam modelos que de certa forma questionam o essencialismo dos papéis sociais que 'tradicionalmente' se atribuem aos homens (ganha-pão) e às mulheres (procriação), ou mesmo modelos que concebem três ou mais expressões de género possíveis. |
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Todos nós produzimos mais lixo do que seria desejável e isso acontece desde que nascemos. Neste número dedicado ao Dia da Mulher procuramos demonstrar como este momento pode ser amigo do ambiente e revelamos os passos, que tanto o pai como a mãe, devem seguir para uma Parentalidade “Verde”! Um dos grandes dilemas é o lixo produzido que aumenta consideravelmente com a chegada do novo rebento. Estudos revelam que um bebé produz cerca de: 8 fraldas por dia, 56 fraldas por semana, 240 fraldas por mês, o que perfaz um total de aproximadamente 3.000 fraldas por ano! Até aos 2/3 anos, um bebé utiliza cerca de 6.000 fraldas, o que representa perto de uma tonelada de resíduos produzidos, que para piorar a situação, se revelam dos piores amigos do ambiente, pela sua composição de plástico. |
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Cromossoma XX Nas comemorações do Dia Internacional da Mulher homenageamos mulheres que marcaram a diferença no conceito de Sustentabilidade, e que figuram na história como defensoras da vida e da ética. Rachel Carson (Bióloga Marinha): autora do livro “Primavera Silenciosa”, deu início ao movimento ambientalista denunciando os efeitos maléficos do DDT no meio ambiente; Gros Brundtland (foi Primeira Ministra da Noruega e Presidente da OMS): chefiou em 1987, a Conferência Internacional da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, difundindo o conceito de Sustentabilidade; Wangari Mathai (Primeira ambientalista Prémio Nobel da Paz, em 2004): criadora do movimento Green Belt Movement, que culminou na plantação de milhões de árvores no Quénia e países vizinhos; Hazel Henderson (Economista autodidacta): fundadora do Mercado Ético (Ethical Market), desenvolveu um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável, baseado em novos indicadores de economia e novas fórmulas de cálculo de PIB; Vandana Shiva (Prémio Nobel alternativo): ambientalista e feminista, defendeu a escolha de produtos biológicos e a luta pela preservação da biodiversidade; Marina Silva (Senadora da República e Ministra do Ambiente): representante dos povos nativos, contribuiu de forma determinante para um modelo de gestão sustentável dos recursos. [Patrícia Ventura, Cores do Globo] Fonte: “Mulheres e Soluções” |
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A Mulher e o Consumo Dizem os historiadores que já na pré-história a mulher desempenhava o papel de colectora de raízes, frutos, e de todo o tipo de bens comestíveis para a subsistência do seu seio familiar. Hoje em dia, a situação não é muito diferente, diversos estudos internacionais demonstram que as mulheres são responsáveis por aproximadamente 80% das aquisições para o lar. |
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