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Katiyo Farm - Zimbabwe
Produto: Châ
Produtor: Katiyo Farm - Granja Katiyo
País: Zimbabwe
De onde é proveniente
o Chã Katiyo:
A fazenda Katiyo localiza-se no município
de Katiyo, perto de Mutare, na fronteira com Moçambique, com a
antiga Rodésia, país onde aproximadamente 70% da
população vive da agricultura.
Ali encontram-se a maioria dos cultivos assim como fábrica, a
escola, a clínica e várias lojas.
Os cultivos da KATIYO FARM:
Dos 3000 hectares de que dispõe a fazenda
e que pertencem ao estado, 800 são dedicados ao cultivo. Destes
cerca de 500 hectares são ocupados pelo chã enquanto que
o resto da superfície cultivada está coberta por um
cafezal da espécie robusta. A plantações de
chã repartem-se em superfícies de 1 a 10 hectares por
família associada. No total 5 hectares são reservados ao
cultivo biológico do chã. No entanto, no resto das
plantações não se utilizam nem insecticidas nem
pesticidas químicos. Além do chã e do café
cultivam-se ainda bananas para autoconsumo e hortaliças para o
mercado local.
O chã negro da KATIYO FARM é muito apreciado no mercado
internacional. A sua qualidade deve-se principalmente à
óptima exposição das plantações. Com
efeito, ainda que os campos de cultivo estejam somente a 600 metros de
altitude, as condições climáticas e a fertilidade
do solo são muito favoráveis. Quando escasseiam as chuvas
a falta de água é compensada com um sistema de rega.
O chã Katiyo representa para o Zimbabue a terceira
produção em termos de importância de vendas logo
atrás do algodão e do trigo.
A importância da poda:
A poda desempenha um papel importante na
qualidade e quantidade do chã obtido. Quando os arbustos
alcançam a altura máxima para permitir uma recolha
fácil e exposição ao sol de todas as ramagens
então é necessária uma poda manual. O resultado da
poda serve para adubo das próprias terras.
Como nasceu e como trabalha a KATIYO
FARM:
> O papel da ARDA:
O projecto do chã Katiyo nasceu nos anos
70 da estreita colaboração entre uma empresa estatal
encarregada da gestão de assuntos agrícolas (ARDA -
Agricultural and Rural Development Authority) e grupos organizados de
camponeses. A ARDA é uma das maiores empresas agrícolas
do Zimbabue e representa o principal instrumento de intervencionismo
estatal no desenvolvimento rural e agrícola do país. A
sua existência remonta a vários anos antes da
independência.
O seu objectivo principal é o de contribuir para o auto
abastecimento nacional de produtos alimentares. Produz e comercializa
algodão, arroz, trigo, café, chã, frutas e
verduras. Administra umas 30 propriedades, com uma superfície
total de 450000 hectares nas quais trabalham uns 6000 trabalhadores
fixos e mais de 16000 trabalhadores sazonais. Estes últimos
pertencem a diferentes grupos étnicos que na época
colonial foram relegados para as então chamadas "Tribal Trust
Lands" (depois da independência os rodesianos brancos abandonaram
as suas grandes plantações e espalharam-se por todo o Sul
de África. As plantações dividiram-se entre a
população negra).
A ARDA garante um salário mínimo a todos os
trabalhadores, sejam fixos ou temporários. Compra o chã
produzido na KATIYO FARM a um preço muito mais alto que o
preço oferecido por companhias privadas. Em 1986, quando
caíram fortemente os preços do chã no mercado
internacional, a ARDA iniciou a procura e a criação de
vias alternativas para a comercialização do chã.
Em 1987, lançou uma campanha de promoção no
mercado nacional ao mesmo tampo que procurava uma saída
internacional para os produtos. Desta maneira, iniciaram-se contactos
entre a ARDA e a AFRI-STAR (a associação finlandesa do
Comércio Justo) e começou a exportação de
saquetas de chã confeccionados no Zimbabue.
Com efeito os saquetas de chã tem muita procura na Europa e
permitem a criação de mais postos de trabalho no Zimbabue.
Por outro lado a ARDA encarrega-se do transporte do chã desde os
campos de cultivo até à fábrica, percorrendo
distâncias muitas vezes superiores a 50 km.
> A
organização da recolha e produção; a
colaboração com a HVTGA (Honde Valley Tea Growers
Association):
Esta associação agrupa uns 600
produtores de chã independentes. Vivem um
povoações e aldeias com 10 a 20 famílias em
média. Cada povoação representa um grupo de
produtores. A superfície dos seus cultivos oscila entre 1 a 10
hectares. Ao ser transformado no próprio lugar de
produção o número de intermediários
implicados é menor e os rendimentos são mais altos.
Reúnem-se uma vez por ano em Assembleia Geral onde tomam as
decisões mais importantes.
Na estação da colheita 2 equipas de 20 pessoas cada
alternam-se nas linhas de produção onde se transforma e
embala o chã. São precisos 4 quilos d folhas de
chã verde para se obter um quilo de chã.
Na elaboração do chã trabalham umas 1500 pessoas
das quais metade são mulheres. O trabalho dos homens consiste
principalmente em descarregar e participar na recolha das folhas verdes
> A
fazenda Katiyo:
A KATIYO FARM é a única
plantação de chã não privada do Zimbabue.
Ao contrário das plantações privadas, o seu
objectivo consiste na capitalização da maior parte dos
benefícios dentro do próprio país.
A KATIYO FARM e a sua associada, a fazenda Rumbisi, situada a uns 25
Km, são as que mais folhas verdes de chã trazem. O resto
é trazido por uma associação de 8 grupos de
produtores criada em 1972, a Honde Valley Tea Growers Association
(HVTGA), que teve de suspender a sua actividade entre 1974 e 1980
devido à guerra da libertação. As
instalações de manufacturação e embalamento
encontram-se mesmo em Katiyo e a sua construção remonta a
1975. Dão trabalho temporário a uma centena de pessoas e
os seus gestores forma conseguindo mante-la em boas
condições apesar das dificuldades crónicas. As
matérias primas para a produção do chã,
cartões reciclados e saquetas de papel branqueadas sem cloro
compram-se no Zimbabue. Os pacotes fazem-se à mão.
Aos empregados da KATIYO FARM oferece-se alojamento e não pagam
nem a escola nem a assistência sanitária. Existe no lugar
uma clínica à disposição dos trabalhadores
e na qual o resto dos habitantes pode aceder pagando uma pequena
quantia (pois o hospital mais próximo fica a 80 Km de
distância). Por outro lado, criou-se um fundo para programas
sociais e de financiamento das actividades agrícolas dos
produtores, levando-se também a cabo um programa de
formação sobre gestão financeira e
organização da produção.
> A
fixação do preço do chã:
O preço do chã é fixado
mediante acordo entre a ARDA, a KATIYO FARM e a HVTGA. Uma vez as
negociações terminadas e o preço fixado a ARDA
subscreve os contratos de compra com cada um dos produtores. Cerca de
60% do chã produzido é absorvido pelo mercado interno.
O mercado internacional do chã:
Com um consumo de cerca de 700 mil
milhões de chávenas diárias, pode-se bem
considerar o chã como uma bebida universal. Trinta países
produzem chã, principalmente a Índia, China, Sri Lanka,
Quénia e Indonésia. Em África a
produção de chã é mais recente, mas de
muito boa qualidade.
Como em tantos outros mercados internacionais, o chã está
controlado por multinacionais. Entre elas devemos destacar a
Brooke-Bond Lipton Ltd., a Lyons Tetley ou a Premier Brands.
Estas vendem cerca de 85% da produção mundial e dominam
90% do mercado ocidental. São os donos das
plantações, das fábricas, das empresas de
transporte e das instalações para embalagem e portanto
dominam toda a cadeia do sector.
Os camponeses trabalham em muito más condições e
com remunerações míseras. Além disso, a sua
condição agrava-se em situações de crise do
mercado de trabalho pois não têm alternativas de emprego e
subsistência.
O sector sofre de uma super produção crónica que
beneficia as multinacionais que assim podem comprar o chã ainda
mais barato.
Os produtores das pequenas plantações vendem a sua
colheita a baixos preços aos intermediários. Além
disso, o chã colhido é geralmente de pior qualidade que o
obtido nas grandes explorações. Com efeito, os pequenos
produtores carecem de meios e conhecimentos para armazenar as folhas,
tratar dos arbustos e fertilizar os campos. O facto do local de
tratamento não ser o mesmo da colheita piora a qualidade do
chã.
A planta do chã:
O arbusto do chã cresce em numerosas
regiões com clima quente e húmido. Ao contrário do
café e do cacau, cultiva-se principalmente em grandes
plantações. As mulheres são encarregadas pela
colheita do fruto (Pekoe) e das folhas. As folhas recolhidas
determinarão o tipo de chã. Quanto mais acima a folha for
apanhada, mais agradável será o aroma e maior o seu
conteúdo em cafeína.
O chã da folha superior (primeira folha) chama-se "Flowery
orange pekoe" e ao chã das duas folhas superiores "Orange
pekoe".
Se o chã contém uma mistura das 3 primeiras folhas
então chama-se "Pekoe".
O chã Katiyo é uma mistura de Orange Pekoe e Pekoe.
As folhas têm de chegar à fábrica de tratamento no
mesmo dia da sua colheita. Ali são transformadas em chã
preto o chã verde. Para o chã preto, deixam-se
"marquitar" as folhas primeiro em grandes contentores, depois com a
ajuda de superfícies giratórias rompem-se as folhas
libertando-se a "savia", necessária para a
fermentação. Este processo provoca a
oxidação das folhas mudando a cor de verde para bronze.
Depois seca-se o chã em máquinas de secagem que lhes
dá a conhecida cor preta.
Para o chã verde escaldam-se as folhas recém colhidas e
desta forma impede-se a fermentação típica do
chã preto.
Finalmente selecciona-se o chã pelo tamanho da folha, existindo
a categoria de folha inteira, fina e muito fina.
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