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Por um consumo responsável

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CoopeAgri - Costa Rica

Produto: Açúcar 
Produtor: CoopeAgri El General - Cooperativa Agrícola Industrial El General R.L.
País: Costa Rica

  

Produção de açúcar na Costa Rica:

Cerca de 63% da produção de açúcar da Costa Rica é consumida no mercado nacional. As exportações representam uns 37% dos quais 17% destinam-se à União Europeia (com base num acordo comercial de preferência) a um preço superior ao do mercado convencional.
  

  
Nascimento e objectivos da COOPEAGRI:

A COOPEAGRI nasceu em 1962 como resposta de pequenos e médios agricultores do Vale de El General (região de Pérez Zeledón) à pressão e exploração exercida pela concentração de capital, produção e transformação nos centros industriais e financeiros existentes na altura na Costa Rica.

Os sócios fundadores de Pérez Zeledón foram 391 produtores de café que acreditavam que o mero jogo de mercado não permitia assegurar o bem estar social e individual dos camponeses. A cooperativa inicialmente chamava-se COOPEREZELEDON R.L..

A COOPEAGRI quer assegurar aos seus associados uma melhoria nos seus lucros e consequentemente nas condições de vida. Na área da produção de açúcar, a COOPEAGRI quer diminuir os riscos produtivos e a dependência de uma só cultura, promovendo o uso de culturas alternativas.
 

 
O fomento do papel da mulher:

A formação e o fomento do papel da mulher é um dos principais objectivos da COOPEAGRI. Dentro da cooperativa, constituiu-se em 1982 a "Asociación de Damas de COOPEAGRI" . Desde então, mais 20 grupos de mulheres foram sendo criados com mais de 500 mulheres. As suas actividades são principalmente a formação em técnicas de produção e actividades turísticas. Desde 1990, o Comité de Mulheres goza de estatuto próprio e funciona de forma autónoma.
 

 
Funcionamento e actividades da COOPEAGRI:

A COOPEAGRI é actualmente considerada como uma cooperativa modelo no mundo latino-americano: aglutina cerca de 40% da actividade económica local pois representa na sua região a maioria dos produtores de café e açúcar. Conta com 5000 associados, 52 pessoas na área administrativa, 52 pessoas na área dos serviços e 128 pessoas na área da manufacturação de produtos agrícolas (café e açúcar principalmente). 

As estruturas da COOPEAGRI são democráticas. Realizam-se assembleias a nível central e regional. A assembleia Geral de Delegados dos Associados é o órgão deliberativo na tomada de decisões sobre financiamentos e programas (por exemplo a distribuição dos lucros). Os associados têm acesso aos livros da contabilidade na lógica do direito à informação e à obrigação de transparência.

Os produtores recebem até 60% do valor da compra em adiantado. Os contratos de compra são efectuados normalmente para uma colheita mínima e o preço varia segundo a quantidade de açúcar na cana. Os trabalhadores temporários recebem entre 55% e 80% d ordenado dos trabalhadores com contratos fixos. Ambos têm direito à segurança social e a um seguro contra acidentes de trabalho.
 

 
A COOPEAGRI e a produção de açúcar:

A decisão de produzir açúcar dentro da COOPEAGRI - tomada em 1974 - veio responder à influência de vários factores. As cooperativas levavam muito tempo para pôr em prática um projecto de produção de açúcar. A produção de café, cíclica, tinha como consequência numerosos problemas sociais e familiares em zonas rurais (migrações para as cidades, erosão de valores, choques culturais, etc.).

Além disso, a eliminação da cota cubana de açúcar no mercado norte-americano abriu quotas a outros países produtores de cana de açúcar. Naquela época, dá-se uma concentração de produção em latifúndios, fazendo com que as produções minifundiárias perdessem importância tanto em número de explorações como em % da produção global.
A degradação social do meio rural tradicional criada por estas alterações moveu todos os cooperantes na dinamização definitiva deste projecto de produção de cana de açúcar tendo vários objectivos em mente:

> criar fontes estáveis de trabalho para os pequenos e médios produtores da região, diminuindo as migrações;
> limitar o papel dos intermediários;
> estabelecer mecanismos de inter-relação entre os diversos sectores produtivos;
> impulsionar a criação de um mercado regional;
> promover o modelo empresarial cooperativo como alternativa para evitar a concentração da propriedade.

Foi então que a cooperativa COOPEREZELEDON R.L. mudou o seu nome para COOPEAGRI R.L..

Hoje em dia são mais de 670 os associados produtores de açúcar e a maioria deles diversificou a produção agrícola inicial. Cerca de 90% destes são pequenos e médios produtores cujas terras atingem um máximo de 7 hectares.

A COOPEAGRI dispõe de uma fazenda colectiva onde trabalham umas 50 pessoas e produz aí cerca de 15% da produção total de açúcar.
Durante a temporada de colheita, contratam-se jornaleiros que podem ser quer pessoas sem terra ou meios ou mesmo emigrantes da Nicarágua ou de El Salvador.

A COOPEAGRI tem uma refinaria (Engenho El General) onde é processada a cana do açúcar. Nesta refinaria um grupo de 30 pessoas assegura o trabalho fixo, regular e durante as colheitas o número de trabalhadores atinge a centena.

O açúcar produzido pela COOPEAGRI é de alta qualidade e na sua produção são utilizadas quantidades mínimas de substâncias químicas tanto na fase de cultivo como na de processamento da cana. Por outro lado, os resíduos têm o melhor aproveitamento possível já que são usados como adubos orgânicos nas novas plantações.
 

 
Comercialização do açúcar:

Na Costa Rica a comercialização do açúcar está submetida a um regulamento governamental e é realizada através da Liga Agrícola Industrial da Cana de Açúcar (LAICA), uma central de exportação sem fins lucrativos. A COOPEAGRI tem licença para exportar açúcar mas a comercialização é gerida pela LAICA da qual a COOPEAGRI recebe anualmente o preço acordado pela Câmara Estatal do Açúcar. No entanto, desde 1994, a COOPEAGRI conseguiu comercializar açúcar directamente através dos canais europeus do Comércio Justo com destino ao fabrico de Chocolate "Companera" com um preço mínimo de garantia muito acima do preço internacional de mercado. Estes ganhos, superiores aos obtidos com a produção de café permitem aos camponeses realizar investimentos vitais para o seu futuro.





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