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AJ QUEN - Guatemala

Produto: Artesanato Têxtil 
Produtor: AJ QUEN
País: Guatemala

  

A Guatemala é conhecida pelas magnificas cores do seu artesanato têxtil, mas no entanto pouca gente sabe que este país ostenta uma triste primazia no que respeita à violação dos direitos humanos.
É assim importante conhecer e ter presente o contexto histórico e político no qual trabalham, para depois poder melhor apreciar a sua produção.
  

 
A Guerra das mulheres:

A cooperativa AJ QUEN é composta por 40 grupos num total de 2300 artesãos (entre tecedores, carpinteiros e cesteiros) residentes em diversas regiões da Guatemala, tais como Chimaltenango, Sololá, Totonicatán, Quiché: todas elas na zona da meseta e entre as mais prejudicadas pela repressão militar, decidida a erradicar a qualquer preço a resistência até ao mais recôndito dos povoados. Isto explica em grande parte que 80% dos associados sejam mulheres, na sua maioria viúvas - cujos maridos foram assassinados em acções de represália - ou mães solteiras - cujos filhos são consequência dos abusos sexuais cometidos pelo exército como forma de castigar as populações debaixo de suspeita.

Os tecidos utilizados para a confecção dos artigos têxteis são produzidos em teares de pedal, embora nalguns casos se utilize ainda os teares tradicionais de cintura.
Uma das funções da AJ QUEN, para além de adquirir matérias primas em grandes quantidades, é a coordenação da produção de modo a que distintas fases da produção possam ser realizadas por grupos diferentes segundo as suas competências. Por exemplo, um tecido elaborado nos teares de pedais de Totonicapán com aplicações à mão efectuadas por um grupo de mulheres de Chichicastenango transforma-se em vestidos e artigos de uso variado graças ao trabalho de alfaiates experientes de um terceiro grupo. Desta maneira a  AJ QUEN substitui os intermediários, que faziam todo este trabalho anteriormente, e actua de modo a que os artesãos tenham benefício directo do seu trabalho.
  

   
Os tecidos dos Maias:

Cerca de 60% dos 9 milhões da população da Guatemala são índios. Um dos aspectos mais marcantes da vida dos índios é o colorido das vestes tradicionais, geralmente feitas à mão, apresentadas em numerosas variedades com notáveis diferenças de um povo para outro. O estilo de algumas peças de roupa quotidiana remonta à época pré-colonial. Entre elas está o "huipil", uma túnica larga sem mangas; o "quechquémitl", uma espécie de xaile, o "enredo", uma faixa envolvente: todas estas peças, femininas, identificam através das cores as diferentes povoações. O tecido é como uma bandeira, como um bilhete de identidade individual e colectivo, o testemunho simples e evidente da própria diversidade, do próprio status. È uma couraça com a qual se protegem e afirmam a sua cultura. 
  

 

A que tece:

A ideia de organizar-se para combater um sistema de mercado controlado pelos intermediários, que se aproveitam da competição entre os distintos artesãos, surgiu em Julho de 1988 durante um seminário, organizado para debater a problemática sócio-educacional e produtiva, no qual participaram muitos dos actuais membros da cooperativa AJ QUEN. Os representantes de 12 grupos independentes de artesãos, reconhecendo que o problema era comum a todos, decidiram constituir-se em cooperativa formalizada em 1989 tendo iniciado a actuar também graças ao financiamento de uma ONG alemã.
   

  
Objectivos da AJ QUEN:

A AJ QUEN, que em linguagem Kakchikel significa "ele/ela que tece", é uma organização sem fins lucrativos, não confessional nem política, que actua para que os benefícios obtidos pelo trabalho dos tecedores, alfaiates, carpinteiros e cesteiros seja directamente alcançado pelos próprios e repartir-se de uma forma justa.

Os objectivos a que a AJ QUEN se propõe são os seguintes:

> consentir aos artesãos a comercialização dos seus próprios produtos a um preço justo para poderem melhorar as suas condições económicas;
> eliminar o papel dos intermediários seja na fase de produção seja na fase de comercialização;
> promover a manutenção e a difusão da expressão cultural da arte têxtil;
> desenvolver projectos de consciencialização, educação cultural e produção autónoma;
> difundir no exterior a compreensão da cultura e as condições sócio-económicas dos artesãos guatemaltecos.
    

  
Actividades e organização:

Os objectivos descritos traduzem-se nas seguintes linhas básicas de trabalho:

> o programa de comercialização que tende a valorizar o factor trabalho e a procurar alternativas de mercado justas;
> o programa de produção que promove a produção colectiva e formas de gestão mais eficazes com o fim de melhorar os rendimentos dos artesãos mais necessitados;
> o programa educativo que cuida da formação técnica e da promoção social dos associados, melhorando a produção, a comercialização e a optimizar os aspectos de organização e autogestão;
> o programa de investigação que realiza estudos e prepara om material para a realização dos demais programas;
> o programa fortalecimento da estrutura de organização através doapoio recíproco dos grupos;
> o programa de relações externas com organizações locais e internacionais para criar vínculos de intercâmbio e solidariedade;
> o programa de administração interna que permite o funcionamento dos distintos órgãos e programas da cooperativa.
  

  
Para realizar estes programas existem 10 pessoas que trabalham diariamente como empregados da cooperativa.

A assembleia geral, na qual participam dois representantes de cada um dos grupos de sócios, é a autoridade máxima da cooperativa e, para além de tomar as decisões mais importantes, elege internamente o Conselho de Administração, composto por 9 membros, que se ocupa da planificação das actividades. Existem outros grupos de coordenação e apoio técnico que recebem colaboração tanto de voluntários como dos próprios empregados.

O lucro das vendas dos produtos de artesanato é repartido pelos grupos de produtores e parte é destinado a um fundo que está dividido de modo a prever uma % para a organização de outras actividades produtivas, uma % de reserva para emergências sanitárias e uma terceira % necessária para a gestão administrativa.

A AJ QUEN considera que a educação é o objectivo primordial da cooperativa; isto traduz-se em formação técnica e de gestão, cursos de alfabetização e informação sanitária bem como em promoção da expressão étnico-cultural entre artesãos e destinatários dos produtos.

O serviço de comercialização que a AJ QUEN oferece aos seus associados abrange desde o controlo de qualidade, uma vez terminada a fase de produção até à exportação ou venda nos mercados internos. A cooperativa AJ QUEN aplica uma margem mínima ao preço estabelecido pelos grupos.

Os contactos com o Comércio Justo e Solidário forma iniciados em 1989 quando um representante da AJ QUEN veio à Europa com duas malas cheias de produtos para mostrar aos representantes da EFTA e apresentar o projecto. Mais tarde estabeleceram-se contactos entre algumas organizações de Comércio Justo europeias. A AJ QUEN possui ainda uma loja na Guatemala para a venda directa ao público.

O volume de vendas nos primeiros 3 anos de actividade da cooperativa cresceu de um modo surpreendente, passando de 50.000 dólares em 1989 para 150.000 dólares em 1990 e quase 400.000 em 1991.





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