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CORR - Bangladesh

Produto: Jute
Produtor: CORR - Christian Organization for Relief and  Rehabilitation
País: Bangladesh

CORR é uma organização de comércio alternativo criada pela Caritas em 1973 e é praticamente composta por mulheres do Bangladesh. A mulher gera com o seu trabalho de artesanato ingressos extra para a alimentação e educação dos seus filhos. Depois do trabalho agrícola a dedicação ao artesanato pode amortizar dalguma forma a insegurança que pode causar uma má colheita ou uma variação dos preços do mercado agrícola.

CORR trabalha fundamentalmente com camponesas e utiliza um produto base do Bangladesh: o Jute, responsável por grande parte das exportações. Mais de 10000 mulheres participam actualmente no projecto da organização CORR e a par do Jute trabalham o Bambú e a Argila, tudo produtos internos do Bangladesh e que representam os elementos básicos do artesanato.

Umas 300 cooperativas agrupam o total de mulheres ao longo de 19 distritos do Bangladesh. O trabalho de muitos grupos de voluntários ajuda a manter a formação e a produção adequada e actualizada em termos de tendências de mercado.
Para além do produto, toda a administração da CORR é supervisionada e gerida democraticamente pelas mulheres através das assembleias.
A qualidade do produto, do trabalho e dos serviços prestados consideram-se fundamentais para a manutenção da organização CORR. Uma parte do dinheiro das vendas é guardado para o desenvolvimento de programas educativos e no final de cada ano, caso sobre, é dirigido para um fundo comunitário de empréstimos. 

Além da produção artesanal a organização CORR recebe fundos para a educação e formação através de programas de agricultura, pequeno comércio, criação de gado, meio ambiente e ecologia. 

Contexto geral:
O Bangladesh é um dos países mais pobres do planeta. A maioria dos mais de 110 milhões de habitantes vivem em extrema pobreza. Cerca de 85% da população reside nos campos onde existem terras muito férteis sendo no entanto escassas para tanta gente. Mais de 60% da população rural não possui ou possui unicamente uma pequena parcela de terra. A indústria não se desenvolveu. Até 1991 o Bangladesh sofreu sucessivas ditaduras militares e a democracia está a lutar para se estabelecer de uma forma estável.

As mulheres são as que mais sofrem com esta situação. No final da guerra civil, em 1971, numerosas viúvas e mães solteiras tiveram que enfrentar sozinhas a sobrevivência e a educação dos seus filhos. Assim, para várias organizações, a promoção das mulheres passou a ser uma prioridade.

O que pretende a CORR é aproveitar todos os conhecimentos tradicionais das mulheres para fabricar artigos usando as poucas matérias primas disponíveis localmente, sem ter de recorrer a elevados investimentos financeiros. Aliado a isto, a CORR é responsável, desde 1982, por um programa de formação que percorre diversas áreas como a contabilidade, por exemplo. Além disso, oferece créditos muito vantajosos e a possibilidade de abrir contas de poupança com elevadas taxas de juro. Estes fundos permitem às produtoras criar novas formas de riqueza, como sejam a pecuária ou o cultivo de hortaliças. 

As mulheres podem trabalhar em casa ou em ateliers colectivos. Os salários são superiores aos auferidos pelas trabalhadoras agrícolas que representam o grupo social piro remunerado. Além disto, o trabalho oferecido pela CORR permite-lhes um relacionamento fora do ambiente familiar e o aprofundamento da formação quer pessoal quer profissional.

Origem e funcionamento da CORR:
Como já foi dito a CORR iniciou em 1973 como um projecto de desenvolvimento promovido pela Caritas Alemã. Em 1981, adquiriu o estatuto de organização autónoma. O seu objectivo principal consiste em proporcionar fontes de ingressos e formação para as mulheres que, por tradição, deveriam ficar em casa não podendo aceitar postos de trabalho públicos. Através da formação e do trabalho a CORR contribui para a valorização do papel da mulher tanto na sociedade como na vida e economia familiar. Para além disto a CORR sensibiliza as suas associadas a iniciar planos de poupança.

A organização abrange cerca de 7000 mulheres em todo o país, a maior parte delas analfabetas, distribuídas por mais de 200 cooperativas em 16 distritos. Estas cooperativas trabalham directamente, sem intermediários, com a central. As artesãs podem trabalhar em casa, em média 4 a 5 horas por dia. Cada cooperativa funciona em autogestão e recebe visitas regulares da casa central, sediada em Dhaka, capital do Bangladesh.

A CORR tem um conselho de administração composto por 4 mulheres e 4 homens. Destes, 3 tem acento vitalício enquanto os restantes 5 são eleitos pelas cooperativas para exercerem o cargo durante 3 anos. Cerca de 95 pessoas trabalham na sede realizando funções administrativas, gestão de stocks, contactos, supervisão e assistência às cooperativas.


A produção da CORR:
A CORR comercializa mais de 900 artigos tradicionais diferentes, adaptados aos gostos ocidentais, mas sempre elaborados com materiais tradicionais do Bangladesh (jude, canas, algodão, coco, barro, etc.). A produção compreende bolsas, carteiras, jogos e bonecas, bijuteria, floreiros, entre outros numerosos exemplos.
Sempre que necessário, a CORR realiza cursos de formação para que as trabalhadoras se possam adaptar a novas condições ou novos produtos.
Os produtos são submetidos a um primeiro controlo de qualidade no próprio local de produção, ficando este controlo a cargo das responsáveis de cada cooperativa. Uma vez transportados para o armazém central em Dhaka, passam por outro controlo podendo então sai para exportação. Dada a pobreza deste país (um dos mais pobres do planeta), não existe mercado nacional para os produtos da CORR. A totalidade da produção é então exportada para mais de 70 compradores no Norte que assim tornam viável este projecto.
Através da CORR outras 21 ONG's do Bangladesh exportam os seus produtos. Os compradores mais importantes em volume são os Estados Unidos, a Alemanha, a Grã-Bretanha, o Canadá e a Itália. A maior parte da produção é destinada ao Comércio Justo.
Nos finais dos anos 70 a CORR foi reconhecida oficialmente como a maior exportadora de artesanato do Bangladesh e a sua qualidade comercial é muito distinguida.

A obra social da CORR:
Para além de proporcionar às mulheres rurais do Bangladesh uma possibilidade de viverem mais dignamente, a CORR tem podido realizar outras obras de caracter social, graças aos ganhos obtidos na comercialização dos seus produtos tradicionais. Por um lado, conseguiu até agora abrir e por a funcionar cerca de 50 poços com água potável, melhorar substancialmente as instalações sanitárias de muitos dos grupos, construir uma escola primária (actualmente gerida pelo estado) e melhorar as estruturas de outra escola secundária. Por outro lado, conseguiu ampliar as suas próprias infra-estruturas, tendo actualmente vários armazéns (para matérias-primas e produtos acabados), oficinas e salas para formação pessoal e profissional. Tem ainda uma publicação que serve de vínculo entre todos os grupos.

O Bangladesh é, infelizmente, famoso pelas frequentes e graves inundações de que é vítima. O desastroso estado do nosso meio ambiente é a principal causa para a ocorrência destes flagelos "naturais". Assim, a CORR pôs em marcha um programa de reflorestação, confiando a mais de 3000 famílias o cuidado de 10 espécies frutais diferentes. Perante este tipo de catástrofes a CORR providência assistência material e económica às mulheres mais afectadas.





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