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Jogo Limpo
A Campanha Jogo Limpo,
lançada publicamente no dia 1 de Maio de 2004, pretende alertar e
sensibilizar a população portuguesa para a situação
de extrema injustiça que envolve a produção de
equipamentos desportivos actualmente.
Uma actividade inspirada em nobres ideais e que constitui, em alguns
aspectos, um exemplo de igualdade, respeito e comemoração
entre os povos, o desporto é hoje também um negócio
que permite a uns angariar fortunas colossais, suportado por uma indústria
selvagem, que, nos países do sul, impõe condições
miseráveis aos trabalhadores, obrigando-os a trabalhar desde
crianças e não lhes permitindo lutar pelos seus direitos.
Se esta situação tem, cada vez mais, sido denunciada
por organizações não-governamentais e movimentos
da sociedade civil em diversos países europeus, bem como nos
Estados Unidos e no Canadá, em Portugal, o debate tem sido
quase inexistente. Mas 2004 é um ano
diferente.
Com a realização do Campeonato Europeu de Futebol em Portugal,
o nosso país passa a estar no centro das atenções
a nível mundial. No entanto, a organização do
EURO 2004 parece ter-se preocupado pouco com as responsabilidades
sociais ligadas à realização deste tipo de evento
desportivo.
A organização nacional do EURO 2004 não só
abdicou de desenvolver uma estratégia inovadora no combate
à situação de injustiça que afecta os
trabalhadores dos países do sul, mas também optou por
não seguir os códigos de conduta que têm sido
experimentados em eventos semelhantes, como por exemplo, no Campeonato
do Mundo de Futebol, desde 1996.
Face a esta situação, e com a convição
de que o fair play tão reclamado no desporto tem que começar
fora dos estádios, a Coordenação Portuguesa do Comércio
Justo (CPCJ) decidiu lançar a campanha Jogo
Limpo.
Esta campanha consistirá num conjunto de actividades que pretende
informar, sensibilizar e mobilizar as pessoas em relação
às condições de trabalho insustentáveis
nos países do sul, convidando-as a reflectir, a discutir, a
tomar uma posição.
Pretende-se, assim, promover um debate em torno de questões
tão fundamentais como a Pobreza, os Direitos Humanos, as Regras
do Comércio Internacional e a Globalização.
Esta campanha foi concebida e será levada a cabo pela CPCJ,
e integra-se num espectro mais vasto de campanhas internacionais acerca
desta temática, como a Global March Against Child
Labour, a Juega Limpio en las Olimpiadas, entre
outras.
Fazem parte da CPCJ, as Organizações Não Governamentais
de Desenvolvimento Acção Jovem para a Paz, CIDAC, Cores
do Globo e OIKOS; as associações Alternativa, Reviravolta,
ARCA, Aventura Marão Clube e as cooperativas Mó de Vida,
Planeta Sul e Terra Justa.
Até ao momento, a iniciativa conta com o prestigiante apoio
da UNICEF e da CNASTI (Confederação Nacional de Acção
Sobre Trabalho Infantil). Outras organizações estão
convidadas a juntar-se neste combate por um mundo mais justo.
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do Relatório
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