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Julho-Setembro 2008
 


A Cores no Musa

Por intermédio das organizações Objectivo 2015 e PAR – Respostas Sociais, a Cores participou este ano no Festival Musa, nos dias 4 e 5 de Julho, em Carcavelos.

Paticipámos com uma pequena banca com alguns produtos de Comércio Justo, divulgando principalmente o café e os muito apreciados biscoitos de cacau e caju.

Aludindo ao tema do festival, aproveitámos para divulgar o impacto que o modelo de comércio justo tem ao nível da protecção ambiental.

Madrid é mais recente das 450 cidades justas espalhadas pela Europa

450 cidades comprometeram-se, nos últimos anos, a preferir os produtos de comércio justo nos seus serviços e a promover o movimento entre as suas escolas, empresas e associações. Ganharam, assim, o epíteto de “cidades justas”. Esta iniciativa começou no Reino Unido, nos anos 90, e abrange hoje muitas das suas principais cidades britânicas, incluindo Manchester e Liverpool. Quem não acreditava que esta dinâmica pudesse chegar aos países do mediterrâneo, certamente que se surpreendeu ao ver que as assembleias municipais de diversas urbes italianas, incluindo Roma e Milão, a inscreverem as suas metrópoles no movimento das cidades europeias pelo comércio justo. Em Abril deste ano, Cordoba juntou-se também à iniciativa e, a 30 de Maio, Madrid aprovou por unanimidade a sua inclusão. Este movimento tem-se alargado a grande velocidade e terá um espaço privilegiado de divulgação e discussão na Expo de Zaragoza, a 5 de Setembro (ver www.ciudadjusta.org). É caso para perguntar: o que falta para que também as cidades portuguesas assumam este compromisso pela justiça no comércio internacional?

Comércio Justo na 5ª Festa do Outono - Jardim Botânico da Ajuda - 4 e 5 de Outubro

No primeiro fim-de-semana de Outubro o Jardim Botânico da Ajuda promove a 5ª edição da Festa do Outono. O evento conta com uma programação diversificada de que fazem parte feiras de jardinagem, uma feira de produtos, incluindo produtos de Comércio Justo através da participação da Cores do Globo, diversos espectáculos musicais e animações ao ar livre, uma exposição de orquídeas e de bonsais, vendas de plantas, workshops, jogos e concursos, visitas guiadas, a participação da charanga a cavalo da GNR e um espaço inteiramente dedicado ao chocolate. A festa assinala a chegada da nova estação e constitui uma oportunidade para visitar o mais antigo jardim botânico nacional, num contexto muito animado.

 

Produto do Mês - T-shirts de Comércio Justo - Algodão Biológico

A cultura do algodão

Trata-se de uma cultura de sucesso muito imprevisível pois é particularmente sensível às adversidades climatéricas e a uma série de pragas. No circuito comercial normal os trabalhadores empobrecidos têm de recorrer a pesticidas prejudiciais para a sua saúde e ambiente e frequentemente também ao trabalho infantil para aumentar a garantia de que conseguem ter uma produção suficiente para poderem sobreviver. Sabia que para a confecção de uma simples t-shirt são utilizados mais de 150 gramas de produtos químicos? Estes agricultores vivem numa situação de grande instabilidade pois, apesar de muito baixo, o preço de mercado é variável e as relações comerciais podem ser quebradas a qualquer momento. Muitos vivem assim na miséria, sendo muito elevada a taxa de suicídios, com particular destaque para a Índia.

As t-shirts de algodão biológico de Comércio Justo

A IDEAS, em parceria com a Agrocel e Maikaal (organizações locais) desenvolveram um processo de produção com características mais justas e sustentáveis, nomeadamente o pagamento de um preço justo pela produção, o estabelecimento de relações comerciais estáveis, substituição de uma produção com recurso a pesticidas por uma produção biológica, utilização de produtos que respeitam o meio ambiente em todo o processo, formação para os agricultores, o que se traduz numa excelente qualidade do produto, assim como todos os benefícios que resultam da aplicação dos critérios de Comércio Justo. Os filhos dos trabalhadores recebem educação e assistência médica gratuitas.

Que diferenças existem entre o algodão biológico e o tradicional?

A principal diferença pode ser detectada quando se está a fiar. A fibra é evidentemente mais clara e muito mais luminosa. É mais brilhante porque provém de plantas mais sãs.O algodão biológico é especial porque foi processado sem nenhuma mistura no moinho-fábrica. Como tem uma qualidade superior, lava-se e conserva-se muito bem. Este algodão está especialmente indicado para quem é alérgico às fibras sintéticas. A Maikaal usa exclusivamente algodão penteado, enquanto que a maioria usa algodão cardado, o que aumenta a sua suavidade ao toque. São também utilizados sistemas de coloração mais sofisticados, o que faz com que as peças de vestuário não percam a sua cor por muito que se lavem. Todas as t-shirts são compactadas, conseguindo-se assim um grau de encolhimento mínimo, segundo as normas internacionais mais estritas.

CORES: marca da economia solidária nos Açores

Em Lisboa, o nome Cores já vai sendo associado, por muitas pessoas, ao comércio justo. Do mesmo modo, também nos Açores, é sinónimo de reconhecimento e promoção de um comércio baseado em princípios de justiça, cooperação e respeito. A CORES foi criada pela Cresaçor, em 1999, como etiqueta que permitisse unir, promover e certificar dezenas de produtores artesanais açorianos que trabalhavam segundo os princípios da economia solidária. A iniciativa foi crescendo e dispõe hoje de duas lojas (uma delas no Aeroporto de Ponta Delgada), apoiando cerca de uma dezena de unidades produtivas e gerando uma receita anual de cerca de 80 mil euros. Aos produtos regionais juntam-se hoje as ofertas de turismo social, segundo os mesmos princípios de respeito e valorização pelas comunidades locais e o meio ambiente. Actualmente, está a estudar-se a forma de se expandir a actividade à Madeira, às Canárias e a Cabo Verde. Uma feliz coincidência de nomes ou uma mesma vontade de transcender a lógica monocromática do capitalismo selvagem e celebrar a diversidade no mundo?

Cabazes de Natal 2008

Os cabazes com as Cores do Mundo para um Natal mais responsável. Este ano a Cores do Globo sugere 3 versões de cabazes do Mundo: o Cabaz de Degustação de Produtos de Comércio Justo com a variedade de produtos alimentares emblemáticos do Comércio Justo, com o café, o chá, o chocolate, especiarias, compotas e biscoitos; o Cabaz Loucos por Chocolate dedicado aos derivados do cacau; e o Cabaz A Hora do Chá preparado para os momentos de chá com a melhor qualidade em chás, tisanas e infusões acompanhados de deliciosos biscoitos e das mais coloridas compotas.

cabazes de natal 2008

encomendas: info@coresdoglobo.org

Milhas alimentares: uma nova forma de proteccionismo?

O conceito de milhas alimentares tem vindo a ganhar força nos países do Norte, em partic ular no Reino Unido, defendido vivamente pelos produtores agrícolas deste país. De facto, em superfícies comerciais como o Marks & Spencer é já possível identificar em muitos produtos um rótulo com um avião reportando às milhas aéreas que foram necessárias para transportar aquele produto de um país do Sul para consumo naquele local. A ideia subjacente a esta pseudo certificação consiste na crítica à opção de importação de produtos dos países do Sul por via aérea, em alternativa aos mesmos serem adquiridos directamente aos produtores do hemisfério Norte, preferencialmente do próprio país. Em causa está a emissão de gases com efeitos de estufa envolvida neste transporte aéreo, ou seja, o seu impacto ambiental. Curiosamente, à luz de um novo tipo de argumentos, desenha-se um quadro novo de proteccionismo, em que são os produtores do Sul que novamente ficam penalizados neste jogo do comércio internacional. Poderá esta siuação ser analisada de forma tão unilateral e parcelar? Julgamos que não. Há uma série de factores que não estão a ser considerados nesta análise e que importa inclui-los, nomeadamente factores de ordem ambiental, social e no plano dos direitos humanos (http://spore.cta.int/index.php?option=com_content&task=view&id=341&Itemid=99999999)

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