newsletter CG
Outubro-Novembro 2008
 

 

newsletter CG Out-Nov 2008 >

 

G20 procura solução para a crise financeira mundial

Décimo encontro anual entre os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais do G20 e cimeira dos chefes de Estado e Governantes do G20

No passado dia 9 de Novembro decorreu na cidade de São Paulo, no Brasil, a décimo encontro anual entre os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais do grupo das vinte nações mais industrializadas e emergentes (G20), constituído pelo grupo dos sete países mais ricos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), pelos 12 países emergentes (África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia) e pela União Europeia representada como um bloco. Este ano o encontro centrou-se na análise da crise financeira mundial e serviu para preparar a reunião dos chefes de Estado e do Governo do G20 que decorreu a 15 de Novembro nos EUA, em Washington.

Segundo Mario Osava da Inter Press Service (IPS), da reunião que decorreu no dia 9 de Novembro resultou uma resposta consensual relativa à solução da crise financeira mundial, a qual se relata de seguida.

Os ministros das finanças os presidentes dos bancos centrais dos G20 apontaram o excesso de adopção de risco, as deficientes práticas de gestão do risco nos mercados financeiros, as políticas macroeconómicas inconsistentes e a deficiente regulação e supervisão financeira em alguns países desenvolvidos como as principais causas da actual crise financeira mundial.

No final da reunião foi referido que o G20, por ser amplamente representado pelas economias mais importantes, tinha um papel crítico na estabilidade financeira e na economia mundial, e que as economias emergentes e em vias de desenvolvimento deviam ter mais voz e representatividade nas instituições multilaterais que foram criadas na sequência da conferência de Bretton Woods de 1944, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, pelo que era necessário realizar reformas nessas instituições que as tornassem mais legítimas e eficazes e que reflectissem as alterações da economia mundial, bem como respondessem melhor aos desafios do futuro.

Outra solução apontada para a crise financeira residiu na melhoria dos sistemas de regulação e supervisão no sentido de melhorar a análise e gestão do risco por parte das instituições financeiras, alcançar a transparência e a obrigação de prestação de contas a entidades reguladoras nos mercados financeiros, e fortalecer a cooperação internacional de forma a identificar e responder rápida e ordenadamente a riscos financeiros nacionais e internacionais.

Também foi referido pelos ministros das finanças e pelo presidentes dos bancos centrais dos G20 que era necessário os países não adoptarem políticas demasiadamente proteccionistas no que respeita ao comércio e ao investimento, pelo que manifestaram o seu apoio às conclusões que foram tiradas na conferência de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), de negociação para o desenvolvimento.

Durante essa reunião foram formados grupos de trabalho que conceberam medidas de combate à crise que foram apresentadas na reunião que decorreu no dia 15 de Novembro.

De acordo com o descrito pela Agência Lusa ao Jornal Expresso de 15 de Novembro, a reunião dos chefes de Estado e do Governo do G20 resultou num comunicado de cinco páginas e num plano de acção mais detalhado com a descrição de várias medidas e regulamentos que têm como objectivo cessar a actual crise financeira. Desses documentos constou a proposta de criação de um sistema de alerta precoce e de uma supervisão colegial de reguladores internacionais para coordenar o controlo das 30 maiores instituições financeiras mundiais. No contexto desta cimeira, o secretário-geral das Nações Unidas e o comissário europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária alertaram o G20 para a necessidade de ter presente nas decisões tomadas os mais pobres e a questão do aquecimento global. O primeiro balanço do plano de acções desenvolvido pelos representantes do G20 nesta reunião será realizado a 31 de Março de 2009, sendo que até ao dia 30 de Abril decorrerá outra reunião do G20. Contudo, foi sublinhado pelo presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, que se tratou do início de um processo e que não se podiam esperar resultados imediatos.

Fontes: Mario Osava, 2008, Inter Press Service (IPS).
Agência Lusa, Jornal Expresso, 15 de Novembro de 2008.