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O futuro do ambiente global discutido em Poznan: grandes preocupações, tímidos avanços
A 12 de Dezembro, reuniram-se em Poznan (Polónia) os delegados dos 192 Estados Membros da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), bem como representantes de agências ambientais, no sentido de estabelecer um novo compromisso global que substitua o polémico Protocolo de Kyoto. Estes esforços iniciaram-se em Bali e deverão estar concluídos na próxima convenção, em Copenhaga, dentro de um ano.
Além do reconhecimento unânime sobre a urgência em actuar perante um cenário de perigo, dominou um discurso segundo o qual a aposta global em energias renováveis e na redução da poluição não pode abrandar devido ao cenário de crise financeira e, aliás, poderá ser um forte estímulo ao investimento público, à criação de empregos e ao crescimento das economias.
Após longas discussões, os países que ratificaram Kyoto concordaram em que o próximo acordo deverá ser mais profundo, propondo uma redução de emissões de carbono entre os 25% e os 40% até 2020, em comparação com os níveis de 1990, o que corresponde à indicação do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), para que o aquecimento global não passe de 2º C. A União Europeia aceitou ainda um reforço substancial no fundo de apoio aos países que sofrem danos consideráveis devido ao aquecimento global.
Ainda assim, os avanços foram ténues, em particular, porque os representantes dos países mais poderosos e também que mais poluem continuam a recusar o estabelecimento de quotas regionais e de multas a pagar aos países menos poluentes. Essa questão e o não reconhecimento dos direitos dos povos indígenas aos seus próprios territórios provocaram críticas duras de ONGs internacionais presentes, como a OXFAM.
As atenções concentraram-se também numa possível mudança na posição dos EUA, cuja não ratificação de Kyoto provocou graves atrasos na agenda global de combate ao aquecimento global. Neste sentido, foram encorajadores os discursos dos democratas John Kerry, nomeado por Obama para assistir à conferência, e Al Gore, convidado pelo seu envolvimento público nas causas ambientais. O primeiro advertiu, contudo, que qualquer compromisso assinado pelos EUA terá também que ser assumido por países que continuam a aumentar as emissões diárias de carbono, como é o caso da China.
por Pedro Abrantes - Cores do Globo
Fontes
Oxfam. (13 de Dezembro de 2008). Oxfam analysis of the Poznan Conference outcomes Acesso em Janeiro de 2009
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