Em meados dos anos 80, no balanço da proclamada “Década das Mulheres” das Nações Unidas, dizia-se “as mulheres fazem dois terços do trabalho mundial, ganham 10% do rendimento e controlam 1% dos meios de produção” – o panorama actual não é muito diferente desta situação de exclusão económica.
Ao nível da exclusão política, se em muito países a situação começou a melhorar com pequenas medidas – a questão das quotas femininas de parlamentares, trouxe para a agenda política de muitos países questões impensáveis anteriormente – noutros agravou-se. Muito se fala da influência das questões religiosas na vida política e económica de vários países, onde hoje as liberdades das mulheres estão cada vez mais em risco.
Mas é preciso não esquecer que a violência e a pobreza são os maiores problemas com que se depara a luta pela igualdade de direitos, deveres e oportunidades. Ao nível político reconhece-se a necessidade de uma estratégia global de mudança de mentalidades e práticas, que englobe o plano político, económico, cultural e envolva ambos os géneros, homens e mulheres, para a mudança ser possível.
Meio século passado sobre as reivindicações feministas dos anos 60, ainda hoje são as mulheres que se encarregam da esmagadora maioria das funções básicas para as sociedades: tratar das crianças, obter alimentos, cuidar das comunidades. A questão hoje, sabemos, não é exigir apenas a paridade, a igualdade de direitos e a divisão de tarefas nas sociedades humanas: o papel da cooperação para o desenvolvimento é exigir a dignificação e realçar o valor fundamental destas tarefas desempenhadas pelas mulheres de todo o mundo.
Para finalizar, a Creative Handicrafts, da Índia, é o nosso exemplo de produtor de CJ: os seus princípios base coincidem com os do comércio justo e através do apoio às mulheres trabalhadoras que a constituem, já conseguiu melhorias nas comunidades onde actua. Tudo através da organização para o sustento e a dignidade de cada pessoa, mais o fornecimento de serviços como creches e formação para adultos ou ainda o ataque aos mais básicos problemas sociais e ecológicos. A razão deste sucesso é simples: trabalha com mulheres, aposta em dar oportunidades às mais pobres para o estabelecimento do seu próprio negócio (através do microcrédito, por exemplo) ou criação do seu próprio emprego (dando formação a vários níveis). Ou dar uma ajuda para que as mulheres tomem o destino nas suas próprias mãos. |