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Em meados dos anos 80, no balanço da proclamada “Década das Mulheres” das Nações Unidas, dizia-se “as mulheres fazem dois terços do trabalho mundial, ganham 10% do rendimento e controlam 1% dos meios de produção” – o panorama actual não é muito diferente desta situação de exclusão económica.
Ao nível da exclusão política, se em muito países a situação começou a melhorar com pequenas medidas – a questão das quotas femininas de parlamentares, trouxe para a agenda política de muitos países questões impensáveis anteriormente – noutros agravou-se. Muito se fala da influência das questões religiosas na vida política e económica de vários países, onde hoje as liberdades das mulheres estão cada vez mais em risco. |
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Uma questão de género?
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As questões de género prendem-se com muito mais do que apenas a economia. A sua discussão envolve, entre outros aspectos, identidade, género, sexualidade e cultura. No entanto assistimos hoje em dia a um fenómeno contrário ao esperado: a “feminização” da pobreza cresce a nível mundial e as mulheres são aquelas que se encontram em situações mais precárias, constituindo 70% dos 1,3 biliões de pessoas que vivem com menos de €1,5 por dia. Curiosamente, são as mulheres quem cultiva 70% a 90% dos alimentos produzidos no mundo.
As mulheres recebem salários mais baixos que os homens – cenário agravado nos países do sul mas também comum nos países industrializados. Trabalham cerca de 60 a 90 horas por semana, a maioria destas, em trabalho não remunerado. E não é por se encontrarem em grande maioria nas posições mais baixas das hierarquias, porque verificamos que se nota a mesma diferença de salários em cargos equiparáveis – uma remuneração 30% a 40% menor. |
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Lutar pela igualdade de direitos, hoje
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