Desde os anos 70, quando a luta das mulheres e a condição feminina finalmente parece ganhar visibilidade e acção política, muito se caminhou. Desde o Ano Internacional da Mulher proclamado pelas Nações Unidas em 1975 até às novas políticas para o desenvolvimento da mulher, aprendeu-se que mesmo se uma das razões visíveis para a desigualdade de género é a exclusão económica, a solução não passa apenas pela economia: é necessário focar a atenção nas relevantes desigualdades estruturais em áreas como a propriedade de terras, o acesso aos mercados, ao crédito e à informação. É necessário ainda ter em atenção as questões culturais, envolver os homens de cada comunidade e trabalhar a partir de dentro de cada cultura pela capacitação das mulheres para mudarem as condições da sua existência.
A 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher (FWCW), decorrida em Pequim, em Setembro de 1995, marcou uma transferência de prioridade: fala-se da relação género-desenvolvimento, uma “integração da perspectiva de género” bem definida na Plataforma de Acção de Pequim ao fechar da conferência. Reconhece-se a necessidade de uma estratégia global de mudança de mentalidades e práticas, que englobe o plano político, económico, cultural e um trabalho com ambos os géneros, homens e mulheres, para a mudança ser possível.
Em Junho de 2000, na 23ª sessão especial da Assembleia Geral da ONU, os estados membro registaram e reviram os progressos na Plataforma de Acção de Pequim (PFA) e adoptaram mais acções e iniciativas para a sua implementação. Mas as respostas dos estados membros indicaram também quanto trabalho há ainda a fazer em duas áreas críticas: a violência e a pobreza, os maiores obstáculos para a igualdade de género em todo o mundo. Estes desafios permanecem.
A ONU lançou o repto em 2001 e os oito objectivos de desenvolvimento para o início de um novo milénio - a cumprir até 2015 - foram subscritos por 189 países de todo o mundo. O terceiro objectivo é precisamente “Igualdade entre os Géneros”, não significando que as mulheres e homens de todo o mundo são iguais mas que todos têm de ter as mesmas oportunidades, direitos e deveres.
Na Europa este ano de 2007 é dedicado à Igualdade de Oportunidades e pode ler-se no site oficial da Comissão Europeia: "O principal objectivo da política de desenvolvimento da Comunidade consiste em reduzir e, a longo prazo, erradicar a pobreza. Uma determinante importante na desigualdade no acesso sobre os recursos e benefícios da sociedade é o género. Daqui resulta que a rectificação das desigualdades de género seja uma parte integrante da política de desenvolvimento da Comunidade, da sua estratégia e implementação".
Tudo boas notícias, mas tanto ainda para fazer. O certo é que o objectivo do milénio número 1 – erradicação da pobreza extrema – depende e muito da capacitação das mulheres dos países mais pobres do mundo. Todos nós podemos dar pequenas ajudas, com o nosso consumo, participando em campanhas ou exigindo mais acção dos nossos dirigentes na cooperação para o desenvolvimento. |