Este ano, o relatório mundial da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância - é
dedicado à relação entre a igualdade de género e o crescimento saudável
das crianças. A directora executiva do relatório, Ann Veneman, explica-nos esta ligação: "quando a mulher tem maior poder para viver de uma maneira plena e produtiva, as crianças prosperam". Numa situação inversa, é aplicado o mesmo raciocínio “quando a mulher é privada de oportunidades igualitárias dentro da sociedade, as crianças sofrem”.
Convenções, pactos e intenções de vontade são adoptados pelos nossos líderes mundiais com o intuito de alterar a profunda desigualdade entre mulheres e homens. No entanto, rapazes e raparigas têm sortes diferentes, muitas vezes ditadas pelo lugar onde nascem ou, por incrível que pareça, pelo avanço da tecnologia. Vejamos um exemplo: a ecografia permite-nos diagnosticar o sexo da criança antes do nascimento, mas esta funcionalidade está a ditar a redução dos nascimentos de raparigas em países como a China e a Índia, onde a preferência por descendentes do sexo masculino é um dado bem conhecido.
O relatório deixa-nos também um roteiro com sete ferramentas que poderão ser utilizadas para promover a igualdade de género e maximizar o bem-estar das crianças:
- Apostar na educação de modo a garantir que rapazes e raparigas tenham iguais oportunidades. As acções prioritárias são: a eliminação de propinas no ensino básico; o estímulo aos pais e às comunidades para investirem na educação das meninas e numa escola livre de preconceitos.
- Direccionar recursos financeiros e humanos adicionais para alcançar a igualdade de género.
- Reformulação da legislação nacional para aumentar o poder das mulheres e proteger os direitos das crianças.
- A adopção de cotas pode estimular a participação das mulheres na política. Este método pode garantir a sua participação na vida política.
- Reforçar o poder dos movimentos associativos femininos. O envolvimento destes movimentos nas formulações de políticas ajudam a garantir que os programas levem em consideração as necessidades da mulher e da criança.
- Envolver os homens e rapazes: os homens podem ser aliados poderosos na luta pela igualdade das mulheres. Iniciativas de defesa planeadas para educar homens e mulheres sobre os benefícios da igualdade de género podem contribuir para alimentar uma relação mais cooperativa entre eles.
- É necessário aumentar as pesquisas e dados sobre a situação de mulheres e raparigas: a falta de estatísticas desagregadas por sexo resulta frequentemente em provas quantitativas limitadas ou frágeis sobre as questões que afectam a mulher, e em consequência, a criança.
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