#06 - 2007

 

 

 

 

Boletim CJ (nºs anteriores)

 

Boletim CJ #06 - 2007

 

Editorial

Identidade cultural e preservação da diversidade cultural num mundo globalizado – é esta a questão em destaque neste boletim. A preservação da identidade de cada uma das comunidades com que o movimento do comércio justo (CJ) trabalha é um dos objectivos base que vai determinar a capacitação desses produtores e a valorização económica do seu trabalho.

Na área do artesanato é fácil perceber porquê, já que por definição é uma produção tradicional de origem, com características identificáveis com um povo, uma região ou um grupo de artesãos. Mas quando falamos da outra fatia de produtos CJ, os alimentares, o princípio da preservação da cultura material não está menos ligado à vida das comunidades campesinas: a preservação das espécies agrícolas de cada região do globo, aparece ligada a outros critérios CJ – ecológico, social, de não discriminação de comunidades indígenas, por exemplo.

Uma das questões culturais que finalmente chegou à mesa da discussão política mundial é a da soberania alimentar dos povos: a liberalização e expansão da indústria e do comércio alimentar massificados tem consequências profundas nos países mais pobres - uma dependência alimentar, um consumo menos saudável e ao mesmo tempo a sabotagem ao desenvolvimento da auto-suficiência agrícola e industrial. Uma aldeia global não pode comer ou vestir unisexo, sob pena de uma pobreza cultural confrangedora e de um planeta insustentável em poucas décadas.

O produtor de CJ em destaque neste número do boletim, é a Association for Craft Producers (ACP), do Nepal. No trabalho que a ACP faz com os artesãos nepaleses, procura-se aliar o design moderno com a tradição ancestral da feitura do artesanato, logo colocam-se sempre as questões de autenticidade e identidade cultural – estarão em causa a liberdade e identidade deste povo, nestes e noutros projectos similares? Não necessariamente. O Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, de 2004, é bastante elucidativo: “liberdade cultural tem a ver com a expansão das escolhas individuais e não com a preservação de valores e práticas como um fim em si mesmo, numa cega lealdade à tradição. A cultura não é um conjunto rígido de valores e práticas. Ela é constantemente questionada, adaptada e redefinida pelas pessoas”. Os povos têm a liberdade de poder alterar a sua vida – o que importa é pensar caso a caso na sustentabilidade da mudança e na efectiva melhoria que pode trazer.

Despedimo-nos com mais um apelo: responda ao nosso questionário, ajude-nos a melhorar!

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo - Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Concepção gráfica: Evatrai craft design | Adaptação WWW: Cores do Globo

Para anular a subscrição do boletim envie um e-mail para info@coresdoglobo.org