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Identidade cultural e preservação da diversidade
cultural num mundo globalizado – é esta a questão em
destaque neste boletim. A preservação da identidade de
cada uma das comunidades com que o movimento do
comércio justo (CJ) trabalha é um dos objectivos base
que vai determinar a capacitação desses produtores e a
valorização económica do seu trabalho.
Na área do artesanato é fácil perceber porquê, já que
por definição é uma produção tradicional de origem,
com características identificáveis com um povo, uma
região ou um grupo de artesãos. Mas quando falamos da
outra fatia de produtos CJ, os alimentares, o
princípio da preservação da cultura material não está
menos ligado à vida das comunidades campesinas: a
preservação das espécies agrícolas de cada região do
globo, aparece ligada a outros critérios CJ –
ecológico, social, de não discriminação de comunidades
indígenas, por exemplo.
Uma das questões culturais que finalmente chegou à
mesa da discussão política mundial é a da soberania
alimentar dos povos: a liberalização e expansão da
indústria e do comércio alimentar massificados tem
consequências profundas nos países mais pobres - uma
dependência alimentar, um consumo menos saudável e ao
mesmo tempo a sabotagem ao desenvolvimento da
auto-suficiência agrícola e industrial. Uma aldeia
global não pode comer ou vestir unisexo, sob pena de
uma pobreza cultural confrangedora e de um planeta
insustentável em poucas décadas.
O produtor de CJ em destaque neste número do boletim,
é a Association for
Craft Producers (ACP), do Nepal. No trabalho
que a ACP faz com os artesãos nepaleses, procura-se
aliar o design moderno com a tradição ancestral da
feitura do artesanato, logo colocam-se sempre as
questões de autenticidade e identidade cultural –
estarão em causa a liberdade e identidade deste povo,
nestes e noutros projectos similares? Não
necessariamente. O Relatório de Desenvolvimento Humano
da ONU, de 2004, é bastante elucidativo: “liberdade
cultural tem a ver com a expansão das escolhas
individuais e não com a preservação de valores e
práticas como um fim em si mesmo, numa cega lealdade à
tradição. A cultura não é um conjunto rígido de
valores e práticas. Ela é constantemente questionada,
adaptada e redefinida pelas pessoas”. Os povos têm a
liberdade de poder alterar a sua vida – o que importa
é pensar caso a caso na sustentabilidade da mudança e
na efectiva melhoria que pode trazer.
Despedimo-nos com mais um apelo: responda ao nosso
questionário, ajude-nos a melhorar! |