#06 - 2007

 

 

 

 

Boletim CJ (nºs anteriores)

 

Boletim CJ #06 - 2007

 

Cultura: da língua à viagem

A identidade cultural fala de si na língua mãe, a língua que aprendemos enquanto crescemos, aquela que nos faz a nós, portugueses, dizer que Saudade é intraduzível. Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2004, existem cerca de 6.000 línguas faladas - das 10.000 que existiam há alguns séculos - e este número tem tendência a baixar entre 50% a 90% nos próximos cem anos. No entanto, já hoje a política funciona com decisões importantes tomadas em línguas oficiais que não contemplam os nichos culturais existentes.

O mesmo se passa de forma global. A identidade cultural é atropelada pela não compreensão do “outro” que não fala a mesma língua que nós. Temos o exemplo da OMC (Organização Mundial do Comércio), que tomou como línguas oficiais o inglês, o francês, o alemão e o espanhol: é o que encontramos quando visitamos o seu sítio na Internet, um exemplo de como as decisões podem estar longe de nós estando os documentos tão perto.

Neste sentido podemos referenciar o trabalho da Oxfam no Afeganistão, que desenvolve projectos de educação bilingue junto das comunidades com que trabalha – em Pastum e em Dari, que são as duas línguas faladas pela maioria da população, num país com cerca de 30 línguas. Merece destaque entre outros trabalhos que conservam a preocupação pela educação bilingue, porque um dos pontos fundamentais neste projecto é garantir que o ensino seja praticado na língua materna – falada no país ou no dialecto local – de forma a facilitar a compreensão dos educandos e combater o analfabetismo. Preservar a língua materna é essencial para o desenvolvimento, para além de ser um direito humano inalienável.

Uma segunda referência nesta questão da identidade cultural é o trabalho que começou a ser feito em paralelo com o CJ e se tem desenvolvido muito nos últimos anos: o chamado turismo ético e solidário – ou responsável, sustentável – que se baseia precisamente na ideia de contrariar a massificação do turismo e o seu efeito brutal na desagregação cultural das pequenas comunidades e dos países economicamente menos desenvolvidos. Um turismo que contribua para a sustentabilidade das comunidades e da natureza que visita, que contribua para a economia local, que não delapide os recursos e valorize a cultura da comunidade/país – é esta a alternativa que já é possível escolher pelo turista mais alertado para estas questões. A Mó de Vida, cooperativa portuguesa de comércio justo, tem desenvolvido em Portugal as primeiras viagens deste turismo ético.

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo - Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Concepção gráfica: Evatrai craft design | Adaptação WWW: Cores do Globo

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