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O algodão é
um dos produtos cujo cultivo actual recorre a uma
enorme quantidade de produtos químicos altamente
prejudiciais à saúde e à biodiversidade - pesticidas,
herbicidas, fertilizantes e insecticidas. Segundo
dados da Organização Mundial de Saúde, 14% dos
acidentes de trabalho nos países em desenvolvimento
são causados pelo uso destes produtos (desastres estes
que incluem milhares de crianças).
A Índia é um dos maiores produtores mundiais de
algodão, onde mais de metade dos pesticidas utilizados
na agricultura se destinam ao cultivo daquele bem,
agravando as condições ambientais e a qualidade de
vida dos trabalhadores. Além disso, os produtores
endividam-se com o aumento do preço dos pesticidas e
com a baixa do preço do algodão.
Para inverter esta situação a organização indiana
Maikaal Rajkakshmi, situada na região de Madhya
Pradesh, alia os benefícios da cultura do algodão
biológico aos princípios éticos e sociais do comércio
justo (CJ) em toda a cadeia de produção. A Maikaal é
um elo diferente da cadeia de CJ pois intervém em toda
a fase da transformação (é necessário tingir, tecer,
lavar, secar, costurar, decorar e embalar) do algodão
biológico. O cultivo é feito pelas organizações de
produtores Mahima e Wofa, o tratamento e
fiação pela Maikaal Fibers Limited, chegando à
fábrica Rajlakshmi para a tecelagem, confecção
e entrega às importadoras CJ.
A Maikaal além de cumprir os critérios de CJ segue
também os parâmetros da Clean Clothes Campaign.
Para a distribuição do produto final conta com a
Greenlicence (organização belga que comercializa
produtos têxteis biológicos), a espanhola Ideas
e a Oxfam-Magasins du Monde na Bélgica. Deste
modo, permite a 1.100 famílias distribuídas por 85
aldeias beneficiarem de melhores condições de vida. Os
seus trabalhadores auferem de um salário digno e os
seus filhos recebem educação e assistência médica
gratuita – e para que a qualidade do produto seja
elevada, recebem cursos de formação.
Por tudo isto, ao comprar as peças de algodão bio da
Maikaal e de outros produtores de CJ, está a
escolher uma roupa da melhor qualidade ambiental e
social. |