#04 - 2006

 

 

 

 

 

Boletim CJ (nºs anteriores)

 

Boletim CJ #04 - 2006

Sateré-Mawé: filhos do Guaraná

Procurado principalmente pelas suas propriedades estimulantes, o guaraná é o fruto sagrado dos Sateré-Mawé, mitologicamente considerados como seus descendentes directos. População indígena que vive na bacia hidrográfica dos rios Andirà e Marau, afluentes do Rio Amazonas, são os inventores da cultura do guaraná: desenvolveram um conjunto de técnicas de cultivo e tratamento da planta, possibilitando que hoje o guaraná seja conhecido e consumido em todo o mundo.

Existe uma distinção entre o guaraná de excelente qualidade produzido pelos Sateré-Mawé – chamado guaraná das terras altas ou guaraná do Marau - e o guaraná produzido pelos não-indígenas na região de Maués, chamado guaraná de Luzéia - antigo nome desta cidade. Este é de qualidade inferior, pois é produzido sem os conhecimentos e atenção das práticas tradicionais dos índios.

A ponte entre os indígenas e o Comércio Justo (CJ) é efectuada pelo Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), garantindo um desenvolvimento económico local que respeita o ser humano, o ambiente e as tradições. A cooperativa italiana Chico Mendes serviu de ligação para as importadoras europeias de CJ.

Com a venda do extrato, do pó e dos paus de guaraná através das redes de CJ, não só o CGTSM paga um salário digno aos produtores, como financia ainda uma série de sub-projectos. Entre eles, podemos encontrar a preservação e domesticação das abelhas nativas sem ferrão e a recolha diferenciada de resíduos domésticos e o seu transporte para fora da área indígena – este último em colaboração com a Organização Autónoma de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé.

A procura da manutenção da biodiversidade e o respeito pela identidade cultural são assegurados ainda pelo mais recente projecto: a criação de uma pequena região de economia solidária. Abriu recentemente a primeira loja na Amazónia, em Maués, onde os habitantes locais podem trocar, vender ou comprar os seus produtos sem dependerem de monopolistas. Seguir-se-á uma loja em Parintins e a primeira loja itinerante, sobre os afluentes do Rio Amazonas, graças à qual também as aldeias mais pobres e dispersas poderão emancipar-se do monopólio dos transportes.

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo – Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Concepção gráfica: Evatrai craft design | Adaptação WWW: Cores do Globo