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Procurado
principalmente pelas suas propriedades estimulantes, o
guaraná é o fruto sagrado dos Sateré-Mawé,
mitologicamente considerados como seus descendentes
directos. População indígena que vive na bacia
hidrográfica dos rios Andirà e Marau, afluentes do Rio
Amazonas, são os inventores da cultura do guaraná:
desenvolveram um conjunto de técnicas de cultivo e
tratamento da planta, possibilitando que hoje o
guaraná seja conhecido e consumido em todo o mundo.
Existe uma distinção entre o guaraná de excelente
qualidade produzido pelos Sateré-Mawé – chamado
guaraná das terras altas ou guaraná do Marau - e o
guaraná produzido pelos não-indígenas na região de
Maués, chamado guaraná de Luzéia - antigo nome desta
cidade. Este é de qualidade inferior, pois é produzido
sem os conhecimentos e atenção das práticas
tradicionais dos índios.
A ponte entre os indígenas e o Comércio Justo (CJ) é
efectuada pelo Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM),
garantindo um desenvolvimento económico local que
respeita o ser humano, o ambiente e as tradições. A
cooperativa italiana Chico Mendes serviu de ligação
para as importadoras europeias de CJ.
Com a venda do extrato, do pó e dos paus de guaraná
através das redes de CJ, não só o CGTSM paga um
salário digno aos produtores, como financia ainda uma
série de sub-projectos. Entre eles, podemos encontrar
a preservação e domesticação das abelhas nativas sem
ferrão e a recolha diferenciada de resíduos domésticos
e o seu transporte para fora da área indígena – este
último em colaboração com a Organização Autónoma de
Mulheres Indígenas Sateré-Mawé.
A procura da manutenção da biodiversidade e o respeito
pela identidade cultural são assegurados ainda pelo
mais recente projecto: a criação de uma pequena região
de economia solidária. Abriu recentemente a primeira
loja na Amazónia, em Maués, onde os habitantes locais
podem trocar, vender ou comprar os seus produtos sem
dependerem de monopolistas. Seguir-se-á uma loja em
Parintins e a primeira loja itinerante, sobre os
afluentes do Rio Amazonas, graças à qual também as
aldeias mais pobres e dispersas poderão emancipar-se
do monopólio dos transportes. |