#04 - 2006

 

 

 

 

 

Boletim CJ (nºs anteriores)

 

Boletim CJ #04 - 2006

Editorial

Formação, educação, apoio técnico - os grandes trunfos da cooperação para o desenvolvimento jogam-se neste campo, chamado da Capacitação. E o maior desafio do trabalho das organizações de comércio justo (CJ) com os produtores das regiões mais desfavorecidos está aqui, em fazer a diferença ao apoiar o desenvolvimento através da capacitação, seja para melhorar um produto ou as competências técnicas ou organizacionais de um artesão ou artesã. Porque a melhoria das condições de vida depende também da melhoria na qualidade e até da adaptação estética do que produzem, para acompanhar as exigências do mercado.

Nesta edição damos-lhe a conhecer um exemplo de uma organização de capacitação técnica espanhola - a Diseño para el Desarrollo (DPD) - que viaja um pouco por todo o mundo para prestar assistência técnica e acompanhamento a produtores de CJ, nomeadamente no campo do design e concepção de colecções têxteis. Os voluntários da DPD já forneceram assistência às colecções da COOPERART, uma associação de costureiras de São Salvador da Baía; da Mahaguti, uma organização nepalesa que produz artesanato de papel e têxteis e da Creative Handicrafts (Índia) uma cooperativa de mulheres que confecciona produtos têxteis.

Antes de se deslocarem aos países de destino, estudam as vendas dos anos anteriores, as tendências para o ano seguinte e desenham as colecções. A sua estratégia de sucesso passa por serem capazes de inovar, de elevar a qualidade e, ao mesmo tempo, manterem vivas as características tradicionais e a identidade cultural do artesanato.

Em 2006, os voluntários da DPD começam uma nova etapa, desta vez na Guiné Bissau, onde apoiam os tecelões e as costureiras da ARTISSAL na sua colecção de produtos têxteis baseada na tecelagem artesanal guineense – a lançar no final de 2007!

E é de outro país ao qual temos também o privilégio de ter ligações culturais, que vem o exemplo de produtores deste número #4: a comunidade indígena Sateré Mawé, na Amazónia brasileira, os inventores da cultura do guaraná, que possibilitaram a sua divulgação e consumo para outras partes do mundo.

Por último, chamamos a atenção para a época em que nos encontramos: o Natal é, não por definição mas por ritual enfatizado e multiplicado pela nossa sociedade de consumo, a época do ano em que se fazem mais compras. É também a época do ano em que o desperdício (a compra de tanta coisa que as nossas crianças não necessitam, por exemplo) anda a par com as ideias mais nobres e as intenções mais verdadeiras. Em breve teremos ao seu dispor um caderno sobre consumo responsável e deixamos aqui já um apelo: comecemos agora, mesmo pouco a pouco, a repensar a forma como consumimos – vamos exercer o nosso poder como consumidores e o nosso desejo por um mundo mais justo.

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo – Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Concepção gráfica: Evatrai craft design | Adaptação WWW: Cores do Globo