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Formação,
educação, apoio técnico - os grandes trunfos da
cooperação para o desenvolvimento jogam-se neste
campo, chamado da Capacitação. E o maior desafio do
trabalho das organizações de comércio justo (CJ) com
os produtores das regiões mais desfavorecidos está
aqui, em fazer a diferença ao apoiar o desenvolvimento
através da capacitação, seja para melhorar um produto
ou as competências técnicas ou organizacionais de um
artesão ou artesã. Porque a melhoria das condições de
vida depende também da melhoria na qualidade e até da
adaptação estética do que produzem, para acompanhar as
exigências do mercado.
Nesta edição damos-lhe a conhecer um exemplo de uma
organização de capacitação técnica espanhola - a
Diseño para el Desarrollo (DPD) - que viaja um pouco
por todo o mundo para prestar assistência técnica e
acompanhamento a produtores de CJ, nomeadamente no
campo do design e concepção de colecções têxteis. Os
voluntários da DPD já forneceram assistência às
colecções da COOPERART, uma associação de costureiras
de São Salvador da Baía; da Mahaguti, uma organização
nepalesa que produz artesanato de papel e têxteis e da
Creative Handicrafts (Índia) uma cooperativa de
mulheres que confecciona produtos têxteis.
Antes de se deslocarem aos países de destino, estudam
as vendas dos anos anteriores, as tendências para o
ano seguinte e desenham as colecções. A sua estratégia
de sucesso passa por serem capazes de inovar, de
elevar a qualidade e, ao mesmo tempo, manterem vivas
as características tradicionais e a identidade
cultural do artesanato.
Em 2006, os voluntários da DPD começam uma nova etapa,
desta vez na Guiné Bissau, onde apoiam os tecelões e
as costureiras da ARTISSAL na sua colecção de produtos
têxteis baseada na tecelagem artesanal guineense – a
lançar no final de 2007!
E é de outro país ao qual temos também o privilégio de
ter ligações culturais, que vem o exemplo de
produtores deste número #4: a comunidade indígena
Sateré Mawé, na Amazónia brasileira, os inventores da
cultura do guaraná, que possibilitaram a sua
divulgação e consumo para outras partes do mundo.
Por último, chamamos a atenção para a época em que nos
encontramos: o Natal é, não por definição mas por
ritual enfatizado e multiplicado pela nossa sociedade
de consumo, a época do ano em que se fazem mais
compras. É também a época do ano em que o desperdício
(a compra de tanta coisa que as nossas crianças não
necessitam, por exemplo) anda a par com as ideias mais
nobres e as intenções mais verdadeiras. Em breve
teremos ao seu dispor um caderno sobre consumo
responsável e deixamos aqui já um apelo: comecemos
agora, mesmo pouco a pouco, a repensar a forma como
consumimos – vamos exercer o nosso poder como
consumidores e o nosso desejo por um mundo mais justo. |