|
O
consumidor com preocupações éticas e ambientais também
exige qualidade e não dispensa a estética. Capacitar
os produtores para essa procura do mercado é
essencial. Diseño para el Desarollo (DPD), associação
sem fins lucrativos espanhola, desenvolve um trabalho
de formação técnica e estética junto de produtores de
CJ. Alicia Garcia, membro da direcção, explica-nos a
dinâmica da organização:
Como é que nasceu o DPD?
Alicia Garcia - Em 2001 viajei como voluntária até à
Índia, Bombaim, a um atelier têxtil de mulheres.
Apercebi-me que as mulheres sabiam coser mas ao não
conhecerem os gostos do mercado, tinham problemas em
vender os seus produtos. Sou estilista e trabalho com
as tendências, então pensei que se lhes prestássemos
apoio técnico para focar a sua produção, poderíamos
chegar a mais mercados. Regressei a Madrid e dei uma
conferência na universidade onde estudei. As alunas
entusiasmaram-se e uniram-se a este projecto.
Quem trabalha na DPD?
Eu e o Gonzalo Ribot somos os responsáveis pelo DPD
desde o arranque (2003) e temos voluntários que são
responsáveis pelas colecções de cada país. Estas
pessoas mudam todos os anos, pois quando acabam os
seus estudos e começam a trabalhar já não podem viajar
connosco.
Como é feita a preparação dos voluntários?
Durante todo o ano organizam-se em grupos por países
de destino: Índia, Brasil, Nepal, Cambodja e
Guiné-Bissau. Analisamos as colecções e as vendas dos
anos anteriores, estudamos a cultura e a tradição do
país e tendo em conta as tendências do ano seguinte,
desenhamos as colecções. Fazem-se os padrões e as
provas de cada peça que são corrigidas por uma
profissional. Depois deste trabalho prévio e com todas
as vacinas necessárias viajamos para os nossos
destinos e trabalhamos durante um mês nas
cooperativas.
Fale-nos do trabalho com a Artis@l da Guiné Bissau.
O trabalho desenvolvido durante a nossa estadia em
Setembro [2006] serviu para tomarmos o primeiro
contacto com os tecelões e as costureiras -
estipulamos as bases e fixamos as linhas a seguir
durante os próximos meses, deixando trabalhos e
práticas que devem ser levados a cabo na nossa
ausência.
Com os tecelões trabalhamos novos desenhos, cores e
medidas. Agora temos o desafio de ensinar-lhes as
medidas métricas, pois até então trabalhavam com
medidas “a olho”.
As costureiras, entre risos e muito humor, deram os
primeiros passos na costura: à mão e à máquina. A sua
espontaneidade e a sua vontade de aprender são
contagiosas, pelo que esperamos um grande avanço para
a nossa próxima viagem. Esperamos que com os cursos de
alfabetização [a decorrer] possamos, na nossa próxima
visita, dar ênfase às medidas métricas e à elaboração
das fichas técnicas. |