#04 - 2006

 

 

 

 

 

Boletim CJ (nºs anteriores)

 

Boletim CJ #04 - 2006

Desenhar para desenvolver

O consumidor com preocupações éticas e ambientais também exige qualidade e não dispensa a estética. Capacitar os produtores para essa procura do mercado é essencial. Diseño para el Desarollo (DPD), associação sem fins lucrativos espanhola, desenvolve um trabalho de formação técnica e estética junto de produtores de CJ. Alicia Garcia, membro da direcção, explica-nos a dinâmica da organização:

Como é que nasceu o DPD?
Alicia Garcia - Em 2001 viajei como voluntária até à Índia, Bombaim, a um atelier têxtil de mulheres. Apercebi-me que as mulheres sabiam coser mas ao não conhecerem os gostos do mercado, tinham problemas em vender os seus produtos. Sou estilista e trabalho com as tendências, então pensei que se lhes prestássemos apoio técnico para focar a sua produção, poderíamos chegar a mais mercados. Regressei a Madrid e dei uma conferência na universidade onde estudei. As alunas entusiasmaram-se e uniram-se a este projecto.

Quem trabalha na DPD?
Eu e o Gonzalo Ribot somos os responsáveis pelo DPD desde o arranque (2003) e temos voluntários que são responsáveis pelas colecções de cada país. Estas pessoas mudam todos os anos, pois quando acabam os seus estudos e começam a trabalhar já não podem viajar connosco.

Como é feita a preparação dos voluntários?
Durante todo o ano organizam-se em grupos por países de destino: Índia, Brasil, Nepal, Cambodja e Guiné-Bissau. Analisamos as colecções e as vendas dos anos anteriores, estudamos a cultura e a tradição do país e tendo em conta as tendências do ano seguinte, desenhamos as colecções. Fazem-se os padrões e as provas de cada peça que são corrigidas por uma profissional. Depois deste trabalho prévio e com todas as vacinas necessárias viajamos para os nossos destinos e trabalhamos durante um mês nas cooperativas.

Fale-nos do trabalho com a Artis@l da Guiné Bissau.
O trabalho desenvolvido durante a nossa estadia em Setembro [2006] serviu para tomarmos o primeiro contacto com os tecelões e as costureiras - estipulamos as bases e fixamos as linhas a seguir durante os próximos meses, deixando trabalhos e práticas que devem ser levados a cabo na nossa ausência.


Com os tecelões trabalhamos novos desenhos, cores e medidas. Agora temos o desafio de ensinar-lhes as medidas métricas, pois até então trabalhavam com medidas “a olho”.

As costureiras, entre risos e muito humor, deram os primeiros passos na costura: à mão e à máquina. A sua espontaneidade e a sua vontade de aprender são contagiosas, pelo que esperamos um grande avanço para a nossa próxima viagem. Esperamos que com os cursos de alfabetização [a decorrer] possamos, na nossa próxima visita, dar ênfase às medidas métricas e à elaboração das fichas técnicas.

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo – Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento | Concepção gráfica: Evatrai craft design | Adaptação WWW: Cores do Globo