#03 - 2006

 
 

 

 

 

 

boletim CJ (nºs anteriores)

 

boletim CJ #03 - 2006

Editorial
Este mês olhamos para um dos princípios mais importantes do comércio justo (CJ): a sensibilização dos consumidores e instituições para as questões do comércio internacional, com o objectivo de procurar uma mudança das práticas económicas internacionais injustas. Daí o tema principal ser a Educação para o Desenvolvimento (ED), uma prática corrente na área do Desenvolvimento e Cooperação – e uma ferramenta utilizada pelo CJ para fomentar a mudança de mentalidades e de práticas.

Os principais destinatários da ED são as populações e instituições políticas dos países desenvolvidos para quem são dirigidas as campanhas de sensibilização e pressão políticas. Mas, no futuro, uma melhoria importante poderá ter lugar se os grupos de produtores forem considerados como verdadeiros actores no âmbito da educação e da sensibilização e não apenas como fornecedores de produtos. Embora seja extensamente trabalhada a participação dos produtores em conferências e workshops realizados nos países consumidores, há um campo ainda a explorar: a participação dos produtores na própria construção das campanhas.

No âmbito político, é o documento “Uma visão estratégica para a cooperação portuguesa”, aprovado em Conselho de Ministros de Novembro 2005, que define objectivos, prioridades e mecanismos de intervenção para a Cooperação Portuguesa. Nele, o Governo Português reconhece pela primeira vez a importância da ED como factor chave para a promoção do desenvolvimento sustentável: ”A Educação para o Desenvolvimento é uma prioridade importante da Cooperação Portuguesa. É fundamental criar conhecimento e sensibilizar a opinião pública portuguesa para as temáticas da cooperação internacional e para a participação activa na cidadania global. Esta prioridade constitui um importante factor de formação cívica, em particular para que as camadas mais jovens da população portuguesa tenham capacidade de participar plenamente na resposta aos desafios globais que se colocam no horizonte”.

Um bom exemplo desta prioridade à formação dos jovens é o projecto de ED informalmente chamado “Clubes de Comércio Justo nas Escolas”, de que falamos na última página. Um projecto de trabalho que envolve escolas do Ensino Básico de vários pontos do país e propõe um efeito multiplicador neste contacto directo das crianças com a realidade global, através do ciclo de vida de um produto de comércio justo.

E o produto que apresentamos este mês é o açúcar integral panela, produzido pela COPROPAC, do Equador. O representante desta cooperativa, Rúben Tufiño, tem nos últimos anos participado em acções de ED junto dos consumidores de Espanha, Itália e Portugal, tornando mais próximos todos os elos da cadeia de actores do comércio justo.

apoio:

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo – Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento