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boletim
CJ #02 - 2006
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Editorial
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Desde as
primeiras experiências que moldaram a ideia de
comércio justo (CJ) até ao presente, sempre se
colocaram a nível institucional os maiores desafios ao
movimento. Como obter das instituições e governos
mundiais um reconhecimento do CJ - não apenas para
acabar com as injustiças do comércio internacional ou
para investir no CJ como um instrumento eficaz na área
do desenvolvimento, mas também para contribuir para a
monitorização e credibilidade do circuito e das
organizações de CJ, independentes do sector público em
todo o mundo.
Um passo importante foi dado pelo
Parlamento Europeu (PE):
com a aprovação de uma resolução onde reconhece a
importância do CJ como um meio eficaz de combate à
pobreza, bem como a necessidade de regulamentá-lo, o
CJ passa a ser tomado em conta ao nível das
instituições que nos governam na Europa.
Mais: o PE admite na resolução que os sucessivos
acordos comerciais internacionais têm falhado no que
respeita à integração dos países pobres e que, pelo
contrário, a longo prazo o CJ irá facilitar a
participação dos países em desenvolvimento nas trocas
internacionais, garantir o acesso ao mercado europeu e
aumentar a participação dos consumidores nas questões
do desenvolvimento sustentável.
O PE reconhece ainda às organizações de CJ as funções
de definição de critérios assim como de promotores de
campanhas de sensibilização dirigidas aos consumidores
e às empresas. Mesmo não sendo este texto vinculativo
e tendo o lobbying político do movimento muito
trabalho pela frente, este é um grande avanço
institucional com repercussão na credibilidade futura
– a resolução aponta as questões mais prementes e pode
tornar-se um dos textos referência para o movimento na
Europa.
É essa a notícia em agenda, enquanto neste segundo
número do boletim prosseguimos a temática dos
critérios base do CJ abordando o pagamento de um preço
justo aos produtores. E a mais óbvia questão que se
coloca ao consumidor quando contacta pela primeira vez
com o CJ: o que é o preço justo?
Abordaremos a construção de preços no CJ e as
principais diferenças face ao comércio convencional,
com exemplos pragmáticos que demonstram como o CJ é
uma prática ética, não uma utopia. Um dos melhores
exemplos é falar de produtores que conseguiram fazer a
diferença, como a cooperativa Kuappa Kokoo do
Gana de que falamos na última página.. |
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