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boletim
CJ (nºs anteriores)
boletim
CJ #01 - 2006
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CJ no Haiti: o
exemplo do café
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O café foi o
primeiro produto de comércio justo incluído nas
iniciativas do movimento nos anos 60 – mas a crise do
mercado do café das últimas décadas continua a agravar
a situação dos pequenos agricultores dos países mais
empobrecidos do Sul, que cultivam 70% do café
produzido no mundo. Este produto é a principal
exportação de um país agrícola como o Haiti, onde 65%
da população vive abaixo do limiar da pobreza – às
razões políticas nacionais, juntam-se problemas
ambientais que contribuem para a degradação desta
situação nos últimos anos.
Contudo, o projecto que a OXFAM – Grã Bretanha e a ONG
local Sefades têm a funcionar desde 1992 é um bom
exemplo da prática do CJ na capacitação dos pequenos
produtores. O projecto trabalha hoje em dia com uma
rede de oito cooperativas de produtores de café da
região Norte, a Recocarno - laureada em 2003 com o
prémio René Dumont (que distingue contribuições para o
desenvolvimento rural dos países do Sul).
O estudo participativo da IRC - Americas Program sobre
este projecto aponta como indicadores mais positivos o
aumento do bem-estar das famílias, a manutenção de
mais crianças na escola e uma maior igualdade de
género. As práticas do CJ beneficiam também o
ambiente, a formação dos agricultores e reforça o
sector cooperativo – por isso existem de momento três
cooperativas candidatas à entrada na rede (devem
fortalecer, por exemplo, a questão da capacitação e
participação das mulheres).
A rede funciona de modo democrático, no que os 5.000
agricultores associados chamam em creoulo Biznis
Solidè ou negócio solidário, sendo que o café
arábica de grande qualidade e pronto para exportação é
o negócio da Recocarno. Os grandes desafios para o
crescimento do negócio são neste momento o problema
das estradas/transportes, a instabilidade política e o
afrontar da corrupção e elitismo tradicionais.
Pequenos exemplos que fazem a diferença: a coop CAFUMO
investiu os bónus do CJ para agricultura biológica na
escola de Zilma, que passou de 44 alunos numa sala com
um professor em 1997, para 460 alunos em 13 salas
novas em 2005; e a coop KAPB conseguiu inverter a taxa
de emigração daquela região para a República
Dominicana. |
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