#01 - 2006

 
 

 

 

boletim CJ (nºs anteriores)

 

boletim CJ #01 - 2006

Editorial
O comércio internacional convencional e os paradoxos da liberalização económica são o tema principal deste boletim, que procura oferecer uma visão crítica e apresentar o comércio justo (CJ) e aplicação dos seus princípios como uma forma alternativa e exequível de comércio. Um bom exemplo é o projecto com produtores de café no Haiti que destacamos.

Desde os anos 60 que o comércio justo tem vindo a beneficiar as comunidades dos países em desenvolvimento, tornando-se num mercado de grande crescimento e provando que um modelo de comércio internacional com princípios mais justos é possível. Cada vez mais, os consumidores estão sensíveis à proveniência e às condições em que é produzido o que consomem quotidianamente.

Este facto é também comprovado pelo aumento exponencial dos pontos de venda e pela diferenciação de parceiros comerciais que colocam produtos de CJ nas suas prateleiras: às lojas do mundo (já cerca de 2800 em toda a Europa) juntam-se lojas privadas, cadeias de supermercados e cooperativas.

A introdução de produtos de CJ nas grandes superfícies alarga o circuito alternativo, permitindo que mais consumidores possam praticar um consumo responsável – consequentemente aumentando as oportunidades para os produtores do Sul.

Mas esta questão é complexa: serão os produtores capazes de manter os critérios de CJ com a pressão para satisfazer o aumento repentino da procura?
Será justo exigir aos produtores o respeito pelos princípios da transparência de margens, pelas condições laborais ou pelas boas práticas ambientais quando nas grandes superfícies estes princípios não são sempre salvaguardados? Por outro lado as tarefas de sensibilização dos consumidores e de pressão através de campanhas (que as organizações sem fins lucrativos de CJ tomam em mãos) perdem-se nestes espaços.

O facto é que entre 1997 e 2004 estes pontos de venda cresceram na Europa cerca de 32% - em Portugal só agora estas questões se colocam com as primeiras incursões do CJ nas grandes superfícies.

Mas há uma nova experiência de venda de produtos de CJ que falamos neste boletim: através da rede de supermercados do sector cooperativo é possível ao consumidor português aceder a mais locais de venda.

Ficha técnica: Coordenação de projecto: Cores do Globo – Associação para Promoção de Comércio Justo | Parceiros: CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e Reviravolta - Associação para a Promoção do Comércio Justo | Apoios: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento