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O comércio justo (CJ) é uma
parceria entre produtores do Sul e consumidores de
todo o mundo, que visa o estabelecimento de uma
alternativa comercial de economia solidária, para a
melhoria das condições de vida das populações - e a
protecção ambiental - nas zonas mais pobres do mundo.
Surgiu a partir de várias iniciativas internacionais
nos anos 60 e constitui, hoje, uma rede global,
envolvendo centenas de organizações, milhares de
voluntários e milhões de produtores e consumidores.
Esta rede propõe uma cadeia comercial mais directa e
transparente na qual, a montante, é feito um trabalho
de cooperação para o desenvolvimento e, a jusante, a
tarefa de sensibilizar para um consumo mais
responsável.
O CJ beneficia actualmente mais de cinco milhões de
produtores e suas famílias nos países em vias de
desenvolvimento. E o movimento continua a crescer. Na
Europa, a mais recente pesquisa levada a cabo em 25
países pela FINE*, demonstra como as vendas de CJ
cresceram uma média de 20% desde 2000. O valor
acumulado da rede CJ na Europa é agora de 660 milhões
de euros em produtos. Ou seja, uma duplicação dos
valores de há cinco anos atrás. Assim sendo, o mercado
de CJ é hoje um dos mercados do mundo com maior
crescimento.
Nos 25 países em análise existem realidades e mercados
muito diversificados, mas tanto nos jovens mercados
dos recém membros da UE, como nos ainda recentes
mercados dos países do Sul como Portugal ou nos países
com tradições e organizações mais fortes como a
Holanda e o Reino Unido, a tendência de crescimento
mantém-se.
Na Europa os produtos CJ podem ser encontrados nas
mais de 2.800 Lojas do Mundo (lojas de CJ) e em 55 mil
supermercados, sendo importados pelas 200 organizações
que fazem importação directa dos pequenos e médios
produtores. Os produtos CJ tomam um peso ainda maior
no mercado interno dos 25 países em análise: na Suíça,
por exemplo, são já 47% do mercado de bananas, mais
28% das flores e 9% do açúcar. E no Reino Unido, um
mercado oito vezes maior que a Suíça, é já de 20% a
percentagem de café moído, bem como 5,5% das bananas e
ainda, um feito histórico num país de tradições, 5% do
chá é de CJ. O estudo adianta ainda que são cerca de
100.000 os voluntários que colaboram com o CJ na
Europa.
O relatório da FINE conclui que o CJ é um instrumento
eficiente no combate à pobreza e à persecução dos
Objectivos do Milénio definidos pela ONU. Possibilita
um acordo justo para os produtores e não apenas pelo
pagamento de um preço justo e estável pelos seus
produtos – os comerciantes justos também ajudam os
seus parceiros do Sul a obter melhor acesso aos
mercados, a proteger o meio ambiente e lutar por
melhores condições sociais. Na Europa o movimento CJ
tem sido uma força motriz para a crescente pressão do
consumidor responsável junto das empresas e
instituições para a inclusão de cláusulas sociais e
ambientais.
* A FINE é constituída pela
FLO - Fairtrade Labelling Organizations International,
o IFAT - International Fair Trade Association, a NEWS!
- Network of European Worldshops e a EFTA - European
Fair Trade Association. Baseamo-nos no seu último
relatório “Facts and Figures on Fair Trade in 25
European countries - 2005”.
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